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Reportagens

O Líder Empresarial Cristão

“A principal atitude do cristão é ser capaz de abraçar todas as pessoas”  

Um líder as vezes tem pessoas maravilhosas na sua equipe, mas se não tiver uma boa conduta, pode acabar "estragando" o grupo O líder não ensina com palavras, ele ensina com exemplo; O "exemplo arrasta"

Conversamos com Gabriel Mognaga o Coordenador de um dos maiores eventos empresariais da Serra Gaúcha. O tradicional jantar “Tá na Mesa com ADCE”, que em 2019 alcança sua 17º edição, reúne, anualmente, cerca de 800 pessoas. Os valores arrecadados com a venda de ingressão são destinados colaborar com entidades de cunho assistencial.

Caroline Pierosan: Existe uma corrente de pensadores cristãos que acredita que não devemos fazer divulgação de ações beneficentes. O Tá na Mesa com ADCE é uma grande evento, reúne em média 800 pessoas e a ADCE faz todo um trabalho de divulgação e de promoção. Por que isso?

Gabriel Mognaga: Justamente porque o propósito da ADCE é formar lideranças éticas, então nós precisamos chamar pessoas que possam vir nos ajudar, mas principalmente, que entendam a doutrina social cristã, que é o fundamento da entidade. A proposta para o “adeceano” é que ele seja um líder ético na sua família, no seu local de trabalho e na sociedade. O Tá na Mesa com ADCE, na verdade, não é o foco da associação, ele é feito para o “adceano”. Há 17 anos o presidente da ADCE,  que era o Vilson Betanin, teve a ideia de organizar este evento e o pessoal achou muito interessante. O intuito na época era ir além das palestras e dos retiros. Ele deu a ideia, “quem sabe não organizamos um jantar para beneficiar entidades que ajudam a combater a vulnerabilidade social?”. Então foi organizado esse evento. Hoje ele tomou essa proporção que vocês estão vendo. Nesse período já distribuímos quase um milhão de reais para mais de 166 projetos, beneficiando 5 mil crianças. O objetivo da ADCE não é divulgar a pessoa, o Gabriel, ou o presidente da associação. Mas sim, chamar mais parceiros, arrecadar mais fundos para distribuir para as entidades. Então não tem como não divulgar esse evento, chamar, mostrar para as pessoas. Agora, sem dúvida, esse é apenas um exemplo do que um “adeceano” faz. Cada “adeceano” faz muito mais coisas e não fala. Nós não apenas damos o valor às entidades, nós vamos até ela, e averiguamos o que ela precisa. Precisa de um computador (por exemplo)? Entrevistamos a entidade, pedimos três orçamentos em relação ao equipamento e vemos quem pode ajudar com a compra. Então se compra computador, mouse novo, teclado, se formata e se entrega na entidade. É uma série de ações além de só dar dinheiro. Por isso divulgamos, para conseguir doar muito mais.

Então a principal função de vocês é formar líderes?

Sim, líderes éticos.

O líder é apenas uma pessoa num grande grupo. Por que a presença dele é fundamental para influenciar e conduzir os demais?

O líder não ensina com palavras, ele ensina com exemplo. O “exemplo arrasta”. É uma frase que já foi muito dita, além de ser algo que a gente percebe, que é visível. Em empresas onde o líder é ético e age com uma boa conduta, todo mundo acaba seguindo ele. Quem não segue, acaba caindo fora. Ou se trabalha da mesma forma que o líder ou não se participa da empresa. Então é fundamental que o líder tenha uma postura ética, que ele dê bons exemplos, que fale o que é certo e, principalmente, que faça o que é certo. Porque falar o que é certo é muito fácil. Fazer o que é certo é mais difícil. É isso que a gente incentiva muito na ADCE. Que tratemos as pessoas melhor, que cumprimentemos o porteiro, que olhemos no olho das pessoas. Um líder as vezes tem pessoas maravilhosas na sua equipe, mas se não tiver uma boa conduta, pode acabar “estragando” o grupo.

ADCE se refere a “Dirigentes Cristãos”, mas a entidade se posiciona como ecumênica. Como é que essas duas coisas caminham juntas?

O ecumenismo abraça a todos os cristãos, e a todas as religiões que se dizem cristãs. A gente abriu um pouco mais a ADCE, abraçando a todas as pessoas de bem, então independente da religião, da crença, se é uma pessoa boa, se é uma pessoa que quer se desenvolver, será bem-vinda. E não é onde a pessoa vai ou, até, a própria igreja que vai tornar a pessoa melhor ou pior e sim, o que ela vai fazer dali pra frente. Se eu vou em uma igreja evangélica e escuto um pastor falar e saio de lá fazendo coisas erradas, não adiantou em nada, então nós estamos aqui para sermos pessoas melhores, para ajudar as pessoas e isso exige uma prática diária. A caminhada do cristão começa todos os dias, ou fazendo uma oração ou fazendo uma meditação ou lendo um livro (que é uma forma de oração), escutando uma música... Eu posso me relacionar com meus amigos que não têm os mesmos princípios que eu. Eu gosto de conversar com eles, mas não eu não compartilho com o que eles falam, ou fazem, necessariamente. Então não tem problema conviver com eles. Justamente é ali que eu tenho que estar para dar bons exemplos. A gente não tem que fugir do mal, mas nós temos que tentar eliminar o mal, com o bem. Isso é ser cristão, é abraçar todas as pessoas, é ser o exemplo de Jesus na terra. Ele convivia com quem? Ele não ficava só em bons lugares, ele ia nos piores lugares, ele convivia com todo mundo, com todo o tipo de gente. Quem somos nós hoje para segregar? Não podemos dizer “a tua religião presta e a tua não”. Qual que é a melhor religião? A melhor religião é a que faz bem para mim. A melhor religião para ti é a que te faz bem. Eu sempre digo, religião e espiritualidade tem uma grande diferença. Religião é a ferramenta e a espiritualidade é a religião posta em prática. Então o que mais vale é a espiritualidade. Só que, se eu me afasto da religião, a minha espiritualidade acaba enfraquecendo, porque, diariamente, eu vou ter desafios, seja na família, na empresa, na comunidade... Então eu preciso estar perto da luz. Mas eu acho que a principal atitude do cristão é ser capaz de abraçar todas as pessoas.

Caroline Pierosan