Menu

Notícias

IDEF publica dados de Pesquisa sobre o papel das mulheres nas empresas familiares da Serra Gaúcha

O levantamento mostra que 52% das herdeiras querem ser sucessoras do pai e 55% das esposas trabalham na empresa do marido

Hana palestrou  sobre o tema na manhã desta quinta-feira (24.05)  para o público de cerca de 130 pessoas (empresários e gestores) no evento Café com Informação, realizado mensalmente pelo Conselho da Empresária da CIC de Caxias do Sul Na ocasião, também foram distribuídos exemplares da última edição da revista NOI, que contém narrativa sobre um dos cases que Hana analisou para compor a pesquisa O objetivo da pesquisa específica é entender a participação das mulheres na construção da Governança Familiar e no Processo Sucessório Hana Witt é engenheira, professora e especialista em Governança Familiar e Compliance. Possui Mestrado em Engenharia de Produção (UFRGS) e Especialização em Gestão de Projetos (FGV). É co-fundadora do IDEF - Instituto de Desenvolvimento da Empresa Familiar A pesquisa mostrou que apesar de 70% das mães terem um negócio próprio, ainda assim, 55% delas desempenham alguma atividade na empresa do marido 83% das mães intervêm nos momentos de conflito quando o assunto está relacionado aos negócios, evitando possíveis desentendimentos entre o marido e os filhos 71% das mães ouvidas procuram discutir sobre as formas de gerir o patrimônio da família, junto ao marido e aos filhos Para as mães que não trabalham na empresa, que conforme o estudo do IDEF representam 45% das entrevistadas, é essencial que o fundador compartilhe informações O levantamento mostra que 52% das herdeiras querem ser sucessoras do pai e 55% das esposas trabalham na empresa do marido

“Transmitir valores, orientar a carreira dos filhos, mediar conflitos e buscar propósito profissional. Nos papéis de mães, esposas e filhas de fundadores, as mulheres ocupam posições estratégicas não apenas no seio das famílias, mas também nas empresas sediadas na Serra Gaúcha”, destaca Hana Witt, pesquisadora responsável pela realização do levantamento intitulado “A Mulher na Empresa Familiar”. Hana palestrou sobre o tema na manhã desta quinta-feira (24.05) para o público de cerca de 130 pessoas (empresários e gestores) no evento Café com Informação, realizado mensalmente pelo Conselho da Empresária da CIC de Caxias do Sul.

Na ocasião, também foram distribuídos exemplares da última edição da revista NOI, que contém narrativa sobre um dos cases que Hana analisou para compor a pesquisa. O objetivo da pesquisa específica é entender a participação das mulheres na construção da Governança Familiar e no Processo Sucessório. De fevereiro a abril, por meio de questionário online, a pesquisa ouviu 82 mulheres, entre esposas e filhas de fundadores de empresas familiares de Caxias do Sul e região. Além disso, entrevistas presenciais foram realizadas para resgatar histórias e compartilhar aprendizados, buscando compreender com mais profundidade os dilemas dessas personagens importantes das empresas familiares da Serra Gaúcha.

SUCESSÃO – o estudo revela que 73% das entrevistadas trabalham nas empresas de seus pais há mais de oito anos e 79% consideram que essa ocupação está alinhada ao seu propósito profissional. “Algumas delas assumem os negócios da família pelo companheirismo e cuidado que têm com seus pais, e pela responsabilidade com o legado, mas com o passar do tempo se percebem distantes de seu propósito pessoal ou de suas verdadeiras habilidades profissionais”, avalia Hana. A pesquisa constatou ainda que apenas 51% das filhas entrevistadas tiveram outra experiência profissional antes de entrar para a empresa dos pais. No âmbito nacional, pesquisas revelam que 73% dos sucessores têm outras experiências profissionais antes de trabalharem com a família, uma prática recomendada por especialistas em sucessão. Outro dado interessante do levantamento do IDEF é que 52% das filhas têm a intenção de assumir os negócios dos pais, porém, 72% afirmam que não possuem um plano de carreira estruturado para o processo de sucessão.

EDUCAR E ORIENTAR OS FILHOS - a pesquisa mostrou que apesar de 70% das mães terem um negócio próprio, ainda assim, 55% delas desempenham alguma atividade na empresa do marido. Contudo, a grande maioria, 85% das entrevistadas, tiveram outra experiência profissional antes de ingressarem no negócio familiar. Quando o assunto é sucessão, muitas vezes os filhos procuram a mãe, e não o pai, para falar sobre a carreira; 83% das mães intervêm nos momentos de conflito quando o assunto está relacionado aos negócios, evitando possíveis desentendimentos entre o marido e os filhos. A pesquisa também questionou as mães quanto à profissão dos filhos, sendo que 55% delas participam do planejamento de suas carreiras, mas não chegam a interferir de forma mais direta em suas escolhas profissionais. Os resultados apontam, ainda, que 71% das mães ouvidas procuram discutir sobre as formas de gerir o patrimônio da família, junto ao marido e aos filhos, e 93% delas conhecem os planos futuros da empresa. Para as mães que não trabalham na empresa, que conforme o estudo do IDEF representam 45% das entrevistadas, é essencial que o fundador compartilhe informações. “Mesmo não tendo uma participação direta nos negócios, ela é uma catalizadora de emoções, possui uma visão sistêmica da família e pode contribuir para a tomada de decisões importantes, como a escolha do sucessor ou o momento de transição de comando dos negócios. É ela quem, muitas vezes, ouve as expectativas e desejos dos sucessores e dos sucedidos”, afirma Hana.

RECORTE NAS FAMÍLIAS RURAIS - A pesquisa também ouviu um grupo de mães de alunos da Escola Família Agrícola da Serra Gaúcha (EfaSerra), localizada na Terceira Légua, em Caxias do Sul, constatando que 78% delas administram as propriedades rurais com os maridos e filhos. “Neste recorte, o objetivo foi observar como essas famílias tratam o processo sucessório, considerando o trabalho pedagógico da escola”, afirma a pesquisadora. As mães entrevistadas moram e trabalham em propriedades rurais de Caxias do Sul, Nova Roma do Sul e São Marcos. Dados gerais desse recorte apontam que 89% das propriedades rurais é comandada pela família. O cultivo da uva, de frutas cítricas e a produção de vinho estão entre as principais atividades, sendo que 77% contratam mão-de-obra fora do núcleo familiar na época de safra. Segundo Hana, é importante ressaltar que a EfaSerra promove a qualificação profissional concreta e eficaz do jovem da área rural, incentivando o (re)conhecimento de sua propriedade e da comunidade da qual faz parte sua família. “Ao priorizar a valorização da agricultura e da sucessão familiar, a escola busca alternativas de trabalho e desenvolvimento do meio rural”. Nesse sentido, 100% das mães ouvidas orientam a carreira dos filhos, sendo que 66% delas disseram que eles pretendem permanecer nas propriedades e 34% têm ao menos um dos filhos que quer ficar na zona rural, o que significa que estas famílias terão sucessores administrando suas propriedades. Algumas mães relataram que os filhos trazem assuntos financeiros que aprenderam na escola para casa e, junto com o pai, discutem como seria a melhor forma de investir no negócio. Tanto é assim que em 78% dos casos as mães conversam sobre o futuro da propriedade com seus filhos e 89% delas falam sobre os recursos financeiros da família. “Novamente se percebe que a escola influencia não somente os filhos, mas o sistema familiar inteiro. As mães demonstraram envolvimento com todas as questões familiares e do negócio. Há compartilhamento de informações e tomada de decisões em conjunto entre pais e filhos”, acrescenta Hana. Quando há conflito entre o marido e os filhos, 56% das mães responderam que interferem nessa situação como mediadoras. A pesquisadora reforça que os resultados do estudo na EfaSerra validam a missão que a escola está buscando realizar junto às famílias rurais da região, e nos convida a refletir se, na zona urbana, temos escolas preocupadas em contribuir com a permanência dos jovens na sucessão das empresas familiares. “Não havendo essa contribuição por parte das escolas, a responsabilidade de continuidade da gestão familiar nos negócios recai totalmente na família, em especial sobre as mães”.

HANA WITT • É engenheira, professora e especialista em Governança Familiar e Compliance. Possui Mestrado em Engenharia de Produção (UFRGS) e Especialização em Gestão de Projetos (FGV). Adquiriu formação internacional no tema Empresas Familiares pela Universitat Abat Oliba, de Barcelona (Espanha). É certificada em Governança Corporativa pela Fundação Dom Cabral, Conselheira de Administração pelo IBGC e Lead Assessor em Gestão da Compliance e Antissuborno pela Academia Tecnológica em Sistemas de Gestão. Tem 23 anos de experiência como executiva na Marcopolo, sendo por 15 anos professora na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Nos últimos cinco anos coordenou projetos de desenvolvimento nas empresas familiares por meio dos programas educacionais da Fundação Dom Cabral. Atualmente exerce a atividade de pesquisadora e professora, sendo co-fundadora do IDEF - Instituto de Desenvolvimento da Empresa Familiar

 

SOBRE O IDEF • Com sede em Caxias do Sul, o IDEF orienta e capacita famílias empresárias sobre os temas de Governança e Sucessão, proporcionando maior autonomia e redução da vulnerabilidade nos momentos de transição geracional. Contribui para a proteção das relações familiares, o reconhecimento do legado, a preservação do patrimônio e a perpetuação da empresa. O instituto desenvolve os seguintes projetos: Cursos, Palestras e Fóruns de Orientação (gerar conhecimento e autonomia); Estruturação do Planejamento Sucessório (buscar longevidade e coesão familiar); Formação de Grupos de Desenvolvimento (preparar sucedidos e sucessores) e Implementação da Governança Familiar (assegurar a continuidade do legado e do negócio).