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Pelo Mundo

Circuito Andino

Argentina, Chile, Bolívia, Peru

Ilha de Cactus, Salar de Uyuni, Bolivia ( Foto: Ademir Pierosan) Lago Titicaca, Peru ( Foto: Ademir Pierosan) Laguna verde, ao fundo, vulca?o Licancabur, Bolivia ( Foto: Ademir Pierosan) Por do sol, Salar de Uyuni, Bolivia ( Foto: Ademir Pierosan) Machu Picchu, Peru ( Foto: Ademir Pierosan) Sitio arqueológico Inca, Cusco, Peru ( Foto: Ademir Pierosan) Cordilheira dos Andes, Peru ( Foto: Ademir Pierosan)

A Cordilheira dos Andes “parece ter íman”, dá sempre vontade de voltar! Já a cruzei várias vezes, e, talvez, retorne um dia. A seguir, apresento um breve relato da última viagem para este destino, uma bela aventura de carro, feita em companhia da minha esposa e de um casal de amigos. Já no primeiro dia, vimos um show do pôr do sol sobre o Rio Paraná, em Ituzaingó, Argentina, local onde passamos a primeira noite.

Purmamarca – Argentina

Cruzamos o longo Chaco Argentino, trajeto plaino com quase nada no caminho, para chegarmos até Purmamarca, que significa “cidade do deserto” no idioma aymara. A região norte da Argentina é bastante desértica, mas muito bonita, tendo como atração as montanhas coloridas, com destaque para A Montanha das Sete Cores, que, como o próprio nome diz, tem sete cores.  Na beira do caminho, avistamos muitos cactos gigantes. No dia seguinte, subimos a cordilheira e, na fronteira com o Chile, que se chama Passo de Jama, fomos surpreendidos pela fronteira fechada porque do lado chileno tinha gelo sobre a pista. Rapidamente procuramos uma pousada no pequeno povoado. Ficamos os quatro no mesmo quarto, com uma cama de casal e uma de solteiro - era o melhor que se podia ter.  A cordilheira foi logo apresentando seu cartão de visitas: com 4.200m de altitude e temperatura em torno de -10 °C na madrugada, os efeitos do ar rarefeito (falta de ar e cansaço) logo foram sentidos por nós.  Levantamos na expectativa para a abertura (ou não) da fronteira. Já havíamos traçado o plano B caso ela continuasse fechada. Porém, no meio da manhã, veio a boa notícia e seguimos viagem! Pela beira da estrada começamos a avistar verdadeiros muros de gelo, criados pelas máquinas que liberaram a pista. Em alguns trajetos, ainda havia gelo sobre a pista também, o que representou um grande risco. Nessa estrada a altitude chega a 4.850m. Na descida do lado Chileno, passamos perto do imponente vulcão Licancabur, naquela época, praticamente coberto de gelo.

São Pedro de Atacama – Chile

A pequena cidade, rústica, com seu charme desértico fica a 2.400m de altitude e serve de base para exploração turística da região. Por ali, muitos passeios interessantes podem ser feitos como o dos Geysers del Tatio. É o maior campo geotérmico da América do Sul (terceiro maior do mundo).  Fica a 80 km de São Pedro de Atacama e a 4.320m de altitude. Os Geysers, são pequenos vulcões em meio ao Deserto do Atacama. Deles saem colunas de vapor, que alcançam a superfície passando por fissuras na crosta terrestre. Podem alcançar temperatura de 85°C e 10m de altura. No caminho, pegamos a fria temperatura de -17 °C. Esse deslocamento, normalmente é feito de madrugada, para ver o nascer do sol nos geysers. Quando chegamos, estava -12 °C. Tomamos o café da manhã ao ar livre, contemplando o espetáculo dos geysers em meio aos raios do nascer do sol. Nesse circuito turístico também temo o Vale da lua. O local fica a 4 km de São Pedro de Atacama. É uma região desértica, com formações rochosas interessantes devido a erosão causada pelos ventos. A Região é inóspita e sem vida o que dá impressão de se estar na lua ou em outro planeta. Uma das formações rochosas chama-se Três Marias, parecendo três mulheres em atitude de oração. Também, ali, é possível contemplar a bela vista do vulcão Licancabur. Terminamos o dia no alto de uma colina para ver o pôr do sol. Neste momento, a máquina fotográfica trabalhou muito, devido ao show de cores, tendo como cenário de fundo a Cordilheira dos Andes. Foi espetacular! O céu nesta região é um dos mais limpos do mundo. Numa noite, visitamos o Observatório Espacial, localizado num local escuro, afastado da cidade, para ver as estrelas. Neste local, tivemos palestras sobre o tema e pudemos observar o céu, com a ajuda de quatro telescópios gigantes; foi uma experiência incrível poder admirar o firmamento todo iluminado e pontilhado de estrelas. Perto de são Pedro, existem lagoas onde é impossível afundar por causa da alta concentração de sal. Apesar da água estar gelada, como bons gaúchos, todos entramos na Laguna Cejar. Eu e meu amigo, ficamos na água em torno de meia hora flutuando naturalmente. A cerca de 35 km de San Pedro de Atacama, entramos num rio quente, com oito pequenas piscinas naturais. O local é chamado de Termas de Puritama. Depois de tantos quilômetros percorridos, foi ótimo poder relaxar um pouco e observar a natureza. O Atacama Large Millimeter Array (ALMA) é um observatório espacial, localizado a 50km de San Pedro de Atacama. O empreendimento é uma parceria entre países da Europa, Ásia Oriental, e da América do Norte, em cooperação com o Chile. É o maior projeto astronômico terrestre existente. São 66 antenas de alta precisão, a 5.000 m de altitude. Não chegamos a visitar, pois é necessário agendar com muita antecedência. Está localizado nesta região, justamente pela ótima visibilidade do céu.

Salar de Uyuni – Bolívia

Seguimos viagem para visitar Uyuni, o maior salar do mundo. Optamos por um caminho muito bonito, porém, de 300km de estrada de chão; pedras, buracos, lama e muito gelo. Nosso GPS, em determinado momento, marcava 5.025m de altitude. Essa aventura foi além do planejado. Em alguns trajetos, tínhamos que andar literalmente sobre o gelo. Quando a noite chegou, percebemos que estávamos sem luz. Descemos para conferir, então percebemos que os faróis estavam totalmente enlameados, e foi preciso lavá-los com a água mineral que tínhamos para podermos seguir viagem. Apesar das condições adversas, o percurso foi compensador, considerando as paisagens encantadoras que encontramos pelo caminho. Nesses países, na parte alta da Cordilheira dos andes, há  rebanhos de alpacas e llamas. Nos pontos em que a elevação é maior, vivem as vicunhas. O salar de Uyuni, além de ser o maior, é o mais alto do mundo. É uma enorme planície de sal de 10.582 km² a 3.656 m acima do nível do mar. No meio do salar, existe uma ilha, repleta de cactos enormes. Esse salar é também o único ponto natural brilhante que pode ser visto do espaço. Ele serviu de guia para os astronautas da  Apolo 11, que chegou à lua em 1969. Quando os astronautas viram a planície pela primeira vez, pensaram que fosse uma geleira.

Cusco - Machu Picchu – Peru

Dormimos três noites em Uyuni. Seguimos para o Peru, com o intuito de conhecermos principalmente Machu Picchu. Ainda dentro da Bolívia, fomos parados duas vezes por barreiras policiais, descobrimos então, que, na entrada, não tínhamos feito o documento do carro. Na fronteira existiam três lugares, afastados um do outro, para fazermos todos os papéis.  O terceiro, onde seria feito o documento do carro, nem vimos, porque seguimos uma estrada alternativa com paisagens mais bonitas e esquecemos fazer o tal documento. Nas duas blitz, a polícia nos alertou que poderíamos ter sérios problemas na fronteira com o Peru por estamos com o carro irregular. Na fronteira, pela primeira vez, não pediram nada sobre o carro. A encrenca, poderia ter sido grande. Outro detalhe curioso, e como passamos sete anos antes na mesma fronteira, no lado Peruano tivemos um pequeno problema; o agente dizia que eu não tinha saído do país nestes sete anos, pois o documento estava em aberto. Após muita conversa e vistoria no carro atual, fomos liberados, com o agente admitindo que a falha havia sido do funcionário da Aduana deles em não registrar minha saída. Dentro do Peru, parte do trajeto até Puno, foi margeando o lago Titicaca. É o lago navegável mais alto do mundo, para grandes embarcações. O lago fica entre o Peru e a Bolívia e está a 3.821m de altitude. Dormimos uma noite em Puno. No dia seguinte, passeamos nas margens do lago Titicaca e seguimos para Custo. Cusco, era a capital do império Inca. A cidade está situada a 3.400 m acima do nível do mar, repleta de história relacionada a cultura Inca. Havíamos estado em Cusco sete anos antes, em família, mas devido a uma grande enchente naquele naqueles dias, não pudemos chegar até Machu Picchu, por isso estávamos de volta. Visitamos o Valle Sagrado, também com muita história Inca: agricultura, irrigação, experimentos agrícolas, construções, com os espetaculares encaixes das enormes pedras. Também no Valle Sagrado, vimos o Skylodge Adventure Suites. São verdadeiras cápsulas aéreas, num paredão a 400 metros de altura. Você pode se hospedar lá, caso não tenha problemas com altura, é claro.

Machu Picchu – Peru

Em Ollantaytambo, no Valle Sagrado, embarcamos no trem que nos levou a cidade de Águas Calientes, também chamada de Machu Picchu Pueblo. Na cidade, existe uma estação de águas termais, que usufruímos por pouco tempo, por isso o nome, Águas Calientes. No dia seguinte, subimos a colina de van, para chegarmos à cidade Inca de Machu Picchu. A cidade, foi construída no século XV, sendo possivelmente o símbolo mais típico do Império Inca. Era formada por duas grandes áreas; a agrícola, com os terraços e armazenamento de alimentos, e a urbana, com destaque da zona sagrada com templos, praças e mausoléus. Chama muito atenção a perfeição do encaixe das pedras nas construções. É difícil descrever Machu Picchu, é simplesmente fascinante, recomendo muito visitar este local. Passamos boa parte do dia ali e a noite voltamos para Cusco. No dia seguinte, realizamos o último passeio no centro de Cusco e posteriormente iniciamos a viagem de retorno. Entramos no Brasil pelo Acre, e, aí, veio a decepção. As estradas até então, estavam muito boas, inclusive na Cordilheira dos Andes. Quando chegamos no lado brasileiro, as instalações da aduana estavam em estado precário e a estrada toda esburacada e cheia de panelas. Quando chegamos em Porto Velho, nossas esposas pegaram um voo, pois tinham compromisso na nossa cidade de origem, Caxias do Sul (RS). Eu e meu amigo continuamos o retorno de carro, onde conhecemos também a Chapada dos Guimarães e o Pantanal Norte, ambos no Mato Grosso. Foram quase 10.000 km rodados com nosso carro, fora os trajetos com as vans locais e trem; uma aventura e tanto! 

Texto e Fotos I Ademir Pierosan