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Legado

Um Novo Mindset

Jovens empreendedores falam sobre o futuro dos negócios na era digital e sobre uma nova e mais ágil cultura de gestão corporativa  

"Transformação Digital é uma mudança de mentalidade, de atitude e de operações nas empresas, de como fazemos os processos de gestão, em resposta ao cenário disruptivo que o mundo nos apresenta hoje" (Esdras Moreira). Foto: Josué Ferreira "No cenário da nova economia, realizar trabalho de adaptação para mudança de cultura digital e de mindset orientado a adicionar valor à experiência do usuário é o que nos engaja no movimento de transformação digital (TD) na Região" (Maurício Gimenes). Foto: Josué Ferreira "A internet torna tudo mais prático para as pessoas, trouxe a mobilidade (estar conectado à fontes de conhecimento de qualquer local, na hora que for mais oportuna) e nos permitiu acessar informações e criar uma nova cultura de aprendizagem e de reaprendizagem constante" (Brayan Poloni Cislaghi). Foto: Josué Ferreira Cinco anos depois de criar o próprio negócio, o trio celebra a expansão do trabalho que realiza com a equipe e sua diversificada carteira de clientes. Na foto, Esdras Moreira, Caroline Pierosan (editora revista NOI), Brayan Poloni Cislaghi e Maurício Gimenes. Foto: Josué Ferreira

Entrevista I Caroline Pierosan

Fotos I Josué Ferreira

 

Eles não têm nem 30 anos e não receberam nada pronto. Depois de superarem adolescências de muito trabalho para concluir estudos na área da tecnologia, os sócios Brayan Poloni Cislaghi, Esdras Moreira e Maurício Gimenes deixaram suas colocações no mercado para, juntos, em 2013, criarem a Introduce - Tecnologia para Crescer, uma empresa de assessoria em soluções de TI. Com a evolução de sua atuação a Introduce passou também a oferecer consultorias estratégicas para propor expansão aos clientes por meio do uso das ferramentas da tecnologia. Hoje, o grupo é parceiro reconhecido de gigantes globais do segmento, como Google, Microsoft, Arcserve, Amazon, e também da Sophos (pela qual é destaque nacional como Platinum Partner). Embora possam parecer “muito jovens” para falar de gestão empresarial, eles não se intimidam. “Temos 15 anos de experiência na área!”, tranquiliza Esdras, responsável pela gestão da empresa. Com ousadia e simplicidade os jovens idealizadores fizeram de uma mesa emprestada e da sua visão sobre as necessidades tecnológicas das empresas o pontapé inicial do seu negócio. “Tínhamos certeza do que poderíamos entregar, mas não tínhamos clientes”, lembra, sorrindo, Maurício, comercial do grupo. “Assim como, no início de nossas adolescências, precisamos bater de porta em porta por outros motivos (Esdras foi vendedor de picolé, eu, Brayan, de doces e Maurício consertava computadores), fomos ao mercado com a mesma humildade, ‘bater na porta’ dos grupos empresariais que queríamos conquistar”, narra o líder técnico da Introduce. Cinco anos depois da decisão de criarem o próprio negócio, o trio celebra a expansão do trabalho e sua bem diversificada carteira de mais de 250 clientes. “Somos gratos a todos que nos deram oportunidades e que estão conosco até agora”, ressalta Maurício. Mais do que registrarmos uma história inspiradora, protagonizada por jovens brasileiros (das quais muito carecemos no contexto político e econômico do país), o convite da NOI foi para debatermos a importância do momento no que tange a adaptação tecnológica nas organizações. Além de ser um case de empreendedorismo jovem (que está dando certo), a equipe Introduce afirma ter a missão de conectar pessoas e construir histórias, propósito comum à revista NOI. Hoje a empresa conduz um importante movimento na Serra Gaúcha, o da transformação digital. “Tudo começa nas pessoas! Não adianta acharmos que vamos modernizar as nossas empresas sem que preparemos as equipes!”, alerta Esdras. Assim, com entusiasmo, o trio B.E.M. (Brayan, Esdras e Maurício) incentiva – vamos mudar o mindset em nossas organizações? Confira a seguir, o que eles pontuam sobre o futuro dos negócios na era digital e sobre uma nova e mais ágil cultura de gestão corporativa.

Há um “despertar” na Serra Gaúcha no sentido da Transformação Digital (TD). Mas o que é a TD afinal?

Esdras Moreira: É uma mudança de mentalidade, de atitude e de operações nas empresas, com foco na inovação tecnológica para ampliar a experiência do usuário. É a renovação dos processos de gestão, em resposta ao cenário disruptivo em que nós temos vivido. A mudança começa pelo mindset (pela forma de pensar), que transforma a cultura, e culmina na mudança no formato das operações. 

Pode ser um erro inserir uma empresa na era digital, sem realizar um trabalho de mudança de cultura?

E.M.: Com certeza! Algumas empresas acreditam que, “colocando tecnologia” vai ser suficiente, mas é certo que terão barreiras! O processo deve começar nas pessoas. É preciso trabalhar a questão do medo que alguns têm de perder a sua função. Já que a única constante é a mudança, no cenário da nova economia, realizar trabalho de adaptação para mudança de cultura digital e de mindset orientado para adicionar valor à experiência do usuário é o que nos engaja no movimento de transformação digital (TD) na Região.

Maurício Gimenes: O nome da nossa empresa tem tudo a ver com a nossa missão de introduzir as pessoas na era digital. Não apenas inserimos tecnologia, mas fazemos com que a tecnologia apresentada dê sentido ao negócio.

Quais riscos uma organização corre por causa da transformação digital?

E.M.: Existe a “ameaça” da transformação digital e a “oportunidade”. Tudo vai depender de como a empresa encara a situação. A empresa pode utilizar essa oportunidade para se adaptar ao mercado e tornar-se referência, conquistando uma nova posição, ou ela pode não fazer nada e continuar ameaçada. Isso é, porque alguém vai fazer! Ou é o concorrente, ou é o cliente dela, ou é o usuário interno (pessoas que saem das empresas para abrir seus próprios negócios). Alguém do outro lado do mundo, ou até alguém vizinho, próximo, está pensando em alguma solução para inovar os modelos de negócio, revolucionando-os. Já se percebeu isso acontecendo em diversos segmentos. Não imaginávamos, por exemplo, o quanto poderíamos ser móveis (com o Uber). Hoje podemos solicitar o nosso transporte enquanto prosseguimos com uma reunião. Era algo que não sonhávamos, e uma empresa chegou e ampliou a nossa visão… e o usuário passa a perceber o benefício que, então, se torna ampliado. Alguém está fazendo a transformação – que seja a sua empresa! A empresa tem que ser a protagonista da sua jornada. Os desafios estão em diversos fatores econômicos e globais.

Quais são os principais diferenciais que vocês estão trazendo para a Região?

E.M.: Há cinco anos a gente tem apresentado novidades do mercado mundial para os clientes da Serra Gaúcha. Desde opções para garantir a segurança da informação (com soluções implementadas pela Introduce e fornecidas por líderes de mercado), guarda e retenção de dados, como backup, prevenção de perda e evasão de dados, o DLP, assim como computing, big data e carteira de criptoativos. Ou seja, estamos inserindo os conceitos globais nos negócios locais.

Qual o principal diferencial da Introduce em relação às demais empresas do segmento?

M.G.: Mais do que fornecer tecnologia, nós temos ajudado as empresas a construírem suas estratégias. Podemos auxiliá-las a empoderar as pessoas aproximando-as dos processos de negócio. Podemos mostrar como otimizar os processos tornando a empresa mais ágil, buscando as camadas de tecnologia que vão complementar tudo isso. Não vemos a plataforma de tecnologia como a real solucionadora de todos os problemas, mas entendemos que existem pessoas que precisam ser cada vez mais apoiadas. Negócios precisam ser mais ágeis e o ambiente corporativo deve dar condições e promover isso.

O que um empreendedor pode fazer para aderir à cultura de inovação?

E.M.: Cultura é feita de conhecimentos, de experiências e de ambientes. Precisamos ter uma atitude aberta para receber ideias e feedbacks. Devemos propor um ambiente onde paredes não sejam limites. Muito estudo! Compartilhamento! Trazer pessoas externas para o nosso ambiente. Estimular as pessoas da nossa equipe a visitarem outros locais, a estarem em eventos, integrando-se à outras culturas, para poderem trazer conhecimento “de fora” para o grupo. Tudo começa a partir do novo mindset. Precisamos receber o conhecimento, para aumentarmos a nossa gama de opções e de ilustrações. A inovação depende da criatividade e também de melhorias constantes.

Quais são as referências de vocês?

M.G.: As principais referências estão em países desenvolvidos. Se formos pensar no ranking da transformação digital hoje, o processo está sendo liderado por Estados Unidos, Singapura, Hong Kong, Suécia, Estônia, Israel... O Brasil está em 44º lugar nesse ranking, então entendemos que nossas referências estão sim nas grandes potências, e nas empresas que as compõe. Essa também é uma dica legal para o empreendedor, para quem está buscando inovação: é preciso construir suas referências.

M.G.: O interessante é buscar imergir nos conceitos desses locais que trabalham de uma forma mais abrangente. A Introduce busca estar informada sobre o que o mercado global está articulando, fomentando, trabalhando, para trazer essas referências para o Rio Grande do Sul.

Como vocês fazem para manterem-se atualizados?

Brayan Poloni Cislaghi: Hoje um dos maiores desafios é lidar com a velocidade das mudanças, principalmente quando a gente fala em tecnologia. Então é importante sim, participar de eventos, estar por dentro de estudos e pesquisa, participar de imersões. A internet veio com essa proposta de tornar tudo mais prático para as pessoas, trouxe a mobilidade (estar conectado à fontes de conhecimento de qualquer local, na hora que for mais oportuna) e nos permitiu acessar informações e criar uma nova cultura de aprendizagem e de reaprendizagem constante. Algumas estratégias de marketing digital junto ao aprendizado da máquina, inclusive, podem nos sugerir pesquisas direcionadas aos assuntos e conteúdos que demonstramos mais interesse. 

Vocês sentem repercussão entre os pares do segmento?

E.M.: Existem alguns movimentos! Em Caxias, por exemplo, temos grupos. No começo de outubro, após um evento que realizamos na cidade, reunindo aproximadamente 300 pessoas de mais de 80 empresas, lançamos o TD Talks, que periodicamente reunirá a comunidade sensibilizada para agir em prol desse movimento de adaptação a nova economia digital no mundo corporativo. Temos hoje o Acelera Serra, o Trino Polo, no sul a AGS. Assim nasceu também o Comunidade RS, em que pólos de várias cidades do estado, como Caxias, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Erechim, Passo Fundo, estão agora se unindo para trocar conhecimento. O intuito é criarmos um movimento. Até para que se entenda quais negócios ou oportunidades estão surgindo nessas regiões, valorizando nosso Estado. Muitas vezes somos tão bairristas que não enxergamos oportunidades de negócios em outras áreas e regiões. Acreditamos que, daqui a pouco, na medida em que aumenta a exposição desse tipo de pauta e com a força de expansão da internet, o movimento vai crescer. Nós mesmos, como empresa, somos patrocinadores do Startup Weekend, evento que promove o empreendedorismo local, ajudando as pessoas a criar um negócio, em 54 horas. Isso já aconteceu em Caxias, em 2016 e 2017, e nós estivemos envolvidos. E agora em 2018 com a edição de Bento Gonçalves participamos novamente como mentores, palestrantes e apoiadores. Também fazemos questão de engajar os nossos clientes para esses eventos.

Sendo tão jovens, quais são as estratégias que vocês usam para transmitir credibilidade?

M.G.: A credibilidade é transmitida ao cliente no momento em que buscamos entender sobre o seu problema, pesquisando sobre como podemos ajudá-lo. Compartilhando nosso expertise e co-criando soluções. Nessa hora o cliente já entende a postura corporativa da Introduce.

Por que o jovem muitas vezes é visto como irresponsável ou despreparado?

E.M.: A gente percebe que, como cultura regional há esse “drama”, mas o cliente que nos compra quer avançar e sabe que precisa se transformar. O gestor mais experiente percebe que precisa da agilidade, da cultura de tecnologia, da energia e da inquietude da juventude. Por isso procuramos conquistar a confiança do cliente com base naquilo que ele pergunta, com base no nosso posicionamento, sempre com respeito e cordialidade.

B.P.C.: As empresas estão cada vez mais entendendo a geração de valor por meio da inovação. Com a chegada de startups na região (o que é cada vez mais comum), é notável que o público mais novo tenha um mindset diferente. Tanto que a gente acompannha cenários, por exemplo, em que grandes empresas aqui de Caxias do Sul, estão integrando suas equipes em coworkings, para realmente buscar formas alternativas de repensar seus negócios. A busca é por novas oportunidades de negócio e por novas metodologias, por mais que isso mude um pouco o modelo de negócio das organizações. É preciso transformar-se!

No ambiente tecnológico, não quer dizer que quem é mais jovem tenha menos experiência?

E.M.: Agregando-se experiências e habilidades contamos com time que tem know how técnico e vivências! Talvez a pessoa que nos busque vai perceber que a experiência que temos é suficiente para serví-la na sua necessidade. Com certeza no quesito gestão estamos evoluindo e podemos sempre progredir. É isso que nós, como empresa, estamos focando nesse momento.

No Brasil, vale a pena deixar um bom emprego num cargo técnico para se tornar empreendedor?

E.M.: Empreender é uma adrenalina! Existe algo em nós, que descobrimos juntos, com a nossa equipe, que é o nosso propósito de conectar pessoas e construir histórias. Isso vem antes de dinheiro, de expansão. Se algo na tecnologia que oferecemos, se algo naquilo que falamos na nossa consultoria, algo nos processos que a gente indica, impactar no negócio do nosso cliente, estamos impactando a sua história! Então empreendemos porque buscamos colocar na prática o novo para o mercado. A gente faz, toda vez, algo novo, de novo. É isso que nos realiza no “empreender”.

Maurício, você que já conheceu a vida num país de primeiro mundo, Inglaterra, não tem vontade de ir embora?

M.G.: Só se fosse para fazer a expansão da empresa. Também entendemos que o empreendedor tem uma grande missão, que é multiplicar. Nós éramos bons técnicos e precisamos buscar uma série de outros conhecimentos para estruturar a nossa gestão, mas, sem dúvida, o nosso maior desafio é o de multiplicarmo-nos. Queremos buscar pessoas que se magnetizem com o nosso propósito, que tenham os mesmos valores. Nós escolhemos o Brasil e o Rio Grande do Sul. Nós acreditamos que um país em desenvolvimento oferece muitas oportunidades. Também nos consideramos referência. Temos pessoas da nossa equipe que estão nos Estados Unidos, na Europa... por exemplo, já tivemos colaborador que foi convidado para morar fora, pois uma empresa estrangeira o buscou aqui, onde ele já estava bem preparado. Temos muitas oportunidades de crescer nesse contexto.

Pesquisas trazem que 60% dos jovens brasileiros têm o desejo de ir embora. Seria falta de visão?

M.G.: Seria importante que as pessoas fossem para entender como é o mundo lá fora mas que voltassem para trazer soluções para o país. É um super desafio! O fato de tantos pensarem em partir, sim, pode ser um pouco de falta de visão de tudo que podemos fazer aqui. Aqui na nossa Serra, no nosso Estado e no nosso País. Eu fui, experenciei, me qualifiquei e voltei, porque eu entendo tenho uma missão e uma responsabilidade com a nossa terra. Há muitas oportunidades no Brasil e na minha visão um grande potencial empreendedor das pessoas que entendem as dores dos outros e criam soluções a partir disso. Se o Brasil tem vocação empreendedora deve contar com as possibilidades da tecnologia como impulso para o crescimento.

O que vocês procuram em colaboradores, nos clientes e nos parceiros de negócios?

M.G.: Valores e engajamento. Nossa missão é conseguir se conectar com as pessoas que querem fazer a diferença, que sentem indignação, ou para quem “nunca está bom”, isso é o que nos movimenta, o que nos promove. Em relação aos clientes, a gente busca os que querem crescimento e que querem construir projetos audaciosos. Como parceiros, procuramos quem esteja entendendo as demandas de mercado. É isso! Buscamos energia, melhora constante e paixão por desafio.

Como a migração para o mundo digital vai impactar na saúde financeira das empresas?

B.P.C.: Antigamente as empresas viam a tecnologia como algo auxiliar. Hoje a mudança é drástica. A tecnologia está no centro da atividade. Ou seja, empresas estão nascendo a partir de um ramo da tecnologia. Muitas empresas que estão passando pela Transformação Digital estão deixando de ser uma empresa tradicional e estão se convertendo em empresas de tecnologia que apoiam aquele ramo onde antes atuavam. Por exemplo uma imobiliária que passa a ser uma empresa de tecnologia que ajuda seus clientes a obterem seus imóveis. Isso não significa que a tecnologia vai acabar com a função de uma certa pessoa, mas sim trazer novos desafios a partir do novo conhecimento também para quem executava um trabalho mais braçal ou manual. As pessoas terão que, principalmente, se readaptarem. Junto com as novas tecnologias, cada vez mais a gente percebe a robotização, inteligência artificial, e tudo isso vem a somar. Só que por trás disso tem muita gente trabalhando. A gente fala muito que a robótica vai tirar empregos, mas, por trás de cada robô tem muitas e muitas pessoas trabalhando para que ele seja efetivo. Para que um robô funcione ele precisa ter conhecimento, e quem vai gerar o  conhecimento para os robôs? As pessoas.

Estamos realocando a inteligência humana onde ela é mais necessária?

B.P.C.: Percebo que as pessoas buscam cada vez mais esse aspecto da inovação, da tecnologia como uma forma de aproveitar mais o seu tempo e a sua vida... vamos usar o cenário da Introduce, como exemplo. Para estar em operação, basta termos internet, temos tudo na nuvem. Não precisamos mais estar sempre no mesmo local físico. A medida do necessário podemos trabalhar home office, de outras cidades e espaços de trabalho. Tanto é que sabemos de muitas pessoas que estão viajando o mundo (os nômades digitais) executando suas operações e trabalhando, naturalmente, sempre de um lugar diferente. Tudo isso implica diretamente na nossa qualidade de vida.

Tradição x Tecnologia, opostos ou complementares?

E.M.: Devem somar-se. Imagina se, com a força da tradição, do nosso hábito gaúcho de trabalhar, de se dedicar, de respeitar princípios e valores, somarmos às possibilidades de tecnologia que o mundo está nos oferecendo? Isso pode ampliar muito a visão, pode ampliar os resultados, a forma como a empresa se relaciona com clientes, e toda a cadeia, tudo o que a organização faz.

Nossa região é conhecida pela cultura da ostentação. Como foi lidar com isso quando vocês tiveram tão pouco para começar?

E.M.: Cada momento foi um degrau. Tudo tem o seu tempo. A gente respeita a nossa história, respeita todas as oportunidades que tivemos. Várias a gente conseguiu aproveitar, como a de usar uma mesa emprestada, levar um carrinho de picolé, levar uma caixa de doces, consertar computadores. Consideramos tudo isso como boas oportunidades!

B.P.C.: Tudo o  que passamos construiu nossa formação, nossa essência. Aprendemos sobre como lidar com as pessoas, como realizar uma venda. A mesa que nos foi emprestada, por exemplo, foi muito importante. Quem estava do outro lado dela nos ensinou muito!

M.G.: Exatamente porque nossa história começou com pouco, nos ensinou que mesmo tendo pouco podemos fazer muito pelo nosso cliente, para as pessoas que trabalham com a gente e para nós mesmos. Precisamos reinventar a forma de trabalhar, a forma de se portar, a forma de usar recursos. Aprendemos a dar mais velocidade para as coisas. Creio que vamos deixar o nosso legado nesse sentido também, do quanto conseguimos fazer a partir de tão pouco.

E.M.: Usamos a cultura ágil e a cultura lean como nossa forma de ser e viver. Existem diversas oportunidades para conseguir dinheiro. Você acreditar no resultado que você pode entregar é o primeiro passo.

 

“Cloud computing, a "nuvem" é a febre do momento. Muitos confundem nuvem com transformação digital. São coisas diferentes. A economia também está mudando. O assunto das criptomoedas é cada vez mais presente. Observamos também um movimento no setor imobiliário, as pessoas não estão mais investindo em ativos imobilizados, justamente para realizarem ativos no mundo digital. Os cartões de crédito não precisam mais estar atrelados a um banco, podem ser totalmente virtuais. Um empréstimo já pode ser virtual, não precisa mais de uma pessoa física ou de uma assinatura. Já estamos nos relacionando com robôs destinados ao atendimento de público. Blockchain é outro conceito novidade, pois por meio dele se tem a opção de confiar numa rede totalmente distribuída, ao invés de uma central, como acontece hoje, e com o tempo real a favor das operações. As novas tecnologias tem permitido repensar esses modelos tradicionais" (Brayan Poloni Cislaghi)

 

ESDRAS MOREIRA: Natural de Bento Gonçalves, onde nasceu em 1989, é graduado em Redes de Computadores, com especialização em Gestão de Pessoas e Marketing (Uniftec, IBEGEN, IBC). Engajado na transformação digital dos negócios, é CEO e Co-fundador na Introduce Tecnologia para Crescer. É membro da diretoria Jovem da CIC de Caxias do Sul, trabalhando ativamente nos projetos Vocação em parceria com a UCS, Junior Achievement e em planejamento. Tem 10 anos de vivência em desenvolvimento de estratégias de negócio, modelagem de processos, modelagem de negócios, validação de processos, estratégias comerciais, marketing e atendimento, e mais de 12 anos de experiência no setor de TI. Atua no ambiente de negociação e, há três anos ministra palestras, workshops e mentorias. Foi patrocinador oficial do Startup Weekend Caxias 2016 e 2018. É voluntário em projetos de educação empreendedora e embaixador do Ecossistema transformacaodigital.com, que ajuda a educar o mercado sobre Transformação Digital.

MAURÍCIO GIMENES: Natural de Caxias do Sul, onde nasceu em 1991, é graduado em Redes de Computadores, Gestão de Pessoas e Marketing (Uniftec, IBEGEN, IBC). É empreendedor, empresário, coach, agente de transformação cultural de tecnologia, e Co-fundador na Introduce. Tem cinco anos de vivência em desenvolvimento de times comerciais, gestão de projetos, atendimento ao cliente, vendas, marketing, negociação e, há dois anos, ministra palestras, workshops e mentorias. Foi patrocinador oficial do Startup Weekend Caxias 2016 e 2018, é advisor de marketing no projeto Junior Achievement‎, e desenvolve sessões de Coaching voluntárias para ajudar pessoas a encontrar os melhores caminhos em suas vidas profissionais, estimulando o empreendedorismo.

BRAYAN POLONI CISLAGHI: Natural de Caxias do Sul, onde nasceu em 16 de julho 1992, é graduado em Segurança da Informação e Gestão de Pessoas (Unisinos, IBEGEN, IBC). Também é engenheiro Sophos, LPI 3 e Ethical Hacker, tendo outras diversas certificações da área além de experiência com desenvolvimento de times de projetos de TI, gestão de projetos, atendimento ao cliente, avaliação de tecnologia, negociação e, há três anos, ministra palestras, workshops e mentorias. Foi patrocinador oficial do Startup Weekend Caxias 2016 e 2018. É CTO e Founder na Introduce - Tecnologia para Crescer Cislaghi e atua nos segmentos de Blockchain, Bitcoin e Criptoeconomia com foco na Transformação Digital e em Cloud Computing. Tem 10 anos de vivência em segurança da informação.