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Legado

19/05/2021

Por Que Não?

“Como qualquer ser humano, tive medo. Mas minha vontade era maior. Cada dificuldade é uma preparação para as próximas conquistas. É assim que enxergo os problemas hoje em dia, como um estágio para o próximo nível”


"Já sabia que seria empresária, eu só precisava encontrar o produto certo e o caminho estrategicamente mais acertado para poder ter resultados de acordo com meus planos". Foto: Everton Reinaldo "A pergunta certa para mim seria, por que não empreender?" Foto: Everton Reinaldo "Cada negócio foi me preparando para o próximo, e para o próximo. Cada dificuldade foi uma preparação para conquistas. É assim que as vejo, hoje em dia, como um estágio para o próximo nível" Foto: Everton Reinaldo

“Por que não empreender?”, pergunta a jovem empresária Karyne Weber de Vargas. “A gana de transformar, de tornar virtuoso, de encontrar a maneira de multiplicar, de ver a necessidade que existe da parte de um, e linkar com a disponibilidade do outro... isso está no meu sangue! Vejo as necessidades e sinto um desejo incontrolável de achar uma solução de qualidade”, conta a caxiense que, ainda muito jovem, deixou a Serra Gaúcha para morar em algumas capitais como Porto Alegre, Florianópolis e Rio de Janeiro. Tendo acesso a qualquer lugar, Karyne decidiu estabelecer, próximo à família, em Caxias do Sul, as raízes do seu empreendedorismo.

Sua jornada profissional começou a ter um foco mais delimitado quando, em determinado momento, trabalhando com comunicação estratégica para algumas empresas (já que é graduada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela UCS) ela teve um encontro muito importante, com a tecnologia de iluminação em LED. A possibilidade lhe fez tanto sentido que foi amor à primeira vista. “Neste momento minha cabeça começou a borbulhar e eu já conseguia enxergar muitas aplicações e muitos benefícios para as luminárias. Eu havia encontrado o meu produto!”, conta, com brilho no olhar. 

Hoje, aos 37 anos, ela lidera várias equipes. “A frente da China é formada por engenheiros e linha de montagem em si. Há o grupo que cuida do processo da importação, desde o cuidado com documentações, acompanhamento e checklist dos produtos antes do embarque para prevenir erros neste trajeto. Aqui, no Brasil, tenho a equipe administrativa, financeira, e a equipe de vendedores. Desde o início sempre fiz todas as tarefas, então foi bem tranquilo quando comecei a contratar para cada setor”, conta a visionária, que tem viajado todo o Brasil, fornecendo produtos que iluminam cidades e rodovias. “Com a troca para a iluminação em LED, locações urbanas e estradas acabam ganhando vida nova, além de inúmeros benefícios como aumento significativo da segurança nos locais iluminados e baixo índice de manutenção”, avalia, realizada com o trabalho desenvolvido para cerca de 650 clientes, em apenas 6 anos de jornada empresarial no segmento.

Atualmente ela também atua como consultora para desenvolvimento de produtos e utiliza toda sua equipe à serviço da importação para terceiros. “Naturalmente fui aproveitando as oportunidades e necessidades do mercado nacional para desenvolver outros produtos”, explica. Hoje seus negócios  operam, também, com material médico e hospitalar, de higiene e limpeza e, até, produtos no setor de tecnologia. “Nosso escritório sediado na China, nos facilitou o caminho inverso do transporte. Estamos mandando minério para lá, já mandamos até máscaras no início da pandemia! A magia de empreender é que, depois que você começa, percebe que não existem limites. Basta estar atento e querer”, avalia a belíssima empresária que, seguramente, está apenas no começo de sua trajetória. 

Como formar uma mente empreendedora como a dela? “O empreendedor não se conforma com a realidade, ele “precisa” transformar, buscar melhorias. A partir do momento em que se decide vencer, e conquistar, está formada a mente necessária para o êxito. Desistir não pode ser uma opção. Não se pode deixar o cansaço ser motivo de desistência, as dificuldades precisam ser estímulos para a inovação e criatividade. A capacidade de empreender vai ser gerada da vontade e necessidade de alcançar metas pessoais”, conclui.

Extremamente focada em seus negócios, nos últimos 10 anos, Karyne tem sido avessa à exposição. “Uma boa comunicação estratégica é fantástica para uma empresa ou profissional autônomo. Porém atraímos todo o tipo de atenção, e algumas podem não ser tão saudáveis”, receia. Entretanto, ao acompanhar o trabalho da revista NOI, ela sentiu segurança e o desejo de se fazer presente em meio ao rol de grandes líderes e empreendedores que passaram por estas páginas. Portanto, com exceção especial, compartilha sua saga empreendedora e sua visão de mundo como mulher de negócios à essa edição da NOI, exclusivamente, para a editora Caroline Pierosan. 

Caroline Pierosan: Por que empreender? 

Karyne Weber de Vargas: A pergunta certa para mim seria, por que não empreender? De fato, é algo que está no meu sangue. A gana de transformar, de tornar virtuoso, de encontrar a maneira de multiplicar, de ver a necessidade que existe da parte de um, elinkar com a disponibilidade do outro. Vejo as necessidades e sinto um desejo incontrolável de achar uma solução de qualidade.

Como você se tornou esta líder a frente de diversos negócios?

Minha jornada profissional começou a ter um foco mais delimitado quando, em determinado momento, trabalhando com comunicação estratégica para algumas empresas, tive um encontro muito importante, que foi um divisor de águas. Conheci a tecnologia de iluminação em LED. Aquele produto fez tanto sentido para mim que foi amor à primeira vista. Neste momento minha cabeça começou a borbulhar e eu já conseguia enxergar muitas aplicações e muitos benefícios para as luminárias. Eu tinha encontrado meu produto! A partir daí iniciei a minha jornada de muito trabalho e aprendizado. Eu sabia que não seria fácil. Mas também sabia que conseguiria. No inicio trabalhei para terceiros, e não foi uma boa experiência. Minha mente estava tão à frente, que me sentia presa em moldes completamente ultrapassados de “se fazer negócio”. No meu entendimento, eu precisava de liberdade e autonomia. Tive muito apoio da minha família tanto em orientações do meu pai como empresário bem-sucedido, como da minha mãe e amigos para transmitir segurança e estabilidade neste momento de transição. Como qualquer ser humano, eu tive medo, mas minha vontade era maior. Trabalho no ramo importação de iluminação há aproximadamente 8 anos, 6 deles como proprietária e diretora da empresa. Cada momento, nestes anos, foi muito batalhado. Cada negócio foi suado, mas o mais interessante é que cada um foi me preparando para o próximo, e para o próximo. Cada dificuldade era uma preparação para as novas conquistas. É assim que enxergo as dificuldades hoje em dia, como um estágio para o próximo nível.

A partir do desenvolvimento do seu negócio, você já viajou para vários lugares do Brasil e do mundo. Como tem sido essa expansão das suas fronteiras e como funcionam suas empresas hoje?

Sim, primeiramente porque a fábrica das luminárias fica na China, então era ponto pacífico que eu experimentaria muitas viagens para lá, e como meus produtos em sua grande maioria se tratam de luminárias de vias públicas e iluminação industrial, sempre entendi necessário participar de cada etapa do desenvolvimento de componentes e melhorias na parte técnica. A relação com a fábrica e toda equipe China tem que ser bem próxima, pois avaliamos constantemente cada etapa desenvolvimento, fabricação e da importação. Hoje tenho várias frentes, a equipe da China, todos engenheiros e linha de montagem em si, a equipe que cuida do processo da importação, desde o cuidado com documentações e acompanhamento e checklist dos produtos antes do embarque para evitar que ocorram erros neste trajeto. Aqui no Brasil então tenho a equipe administrativa, financeira, e a equipe de vendedores. Desde o início sempre fiz todas as tarefas, então foi bem tranquilo quando comecei a contratar para cada setor. Viajamos todo o Brasil, nossos produtos têm que ser explicados em seus mínimos detalhes para que os clientes enxerguem que “precisam” deles. E realmente as cidades e rodovias, com a troca para a iluminação em LED, acabam ganhando vida nova, além de inúmeros benefícios como aumento significativo da segurança no local e baixo índice de manutenção. Estávamos em certo momento tão organizados, que foi inevitável que meu lado empreendedor começasse a imaginar que poderíamos expandir esse molde de negócio e para outros produtos e até mesmo prestar consultoria para empresas interessadas. Hoje atuo bastante com consultoria para desenvolvimento de produtos e utilização de toda minha equipe na importação para terceiros. Naturalmente fui aproveitando as oportunidades e necessidade do mercado nacional para desenvolver outros produtos. Hoje temos desde material médico e hospitalar, higiene e limpeza até itens no setor de tecnologia. Contamos com um escritório sediado na China, o que nos facilitou o caminho inverso do transporte. Estamos mandando minério para lá, já mandamos até máscaras para no início da pandemia. Enfim, a magia de empreender é que depois que você começa, percebe que não há limites, basta estar atento e querer.

Quais são os seus planos para os negócios em torno da iluminação LED? 

Temos todo um projeto pronto para iniciarmos, este ano, a fabricação de uma parte da linha de produtos aqui no Brasil. A demanda tem aumentado significativamente. Temos hoje aproximadamente 650 entre cidades e clientes atendidos e muitos contratos sendo fechados neste ano. Estamos nos preparando para dobrarmos nossas entregas. 

Qual é o principal desafio de empreender no Brasil hoje? 

O desafio é empreender (em si) no Brasil. Nosso país tem uma carga tributária completamente fora da normalidade, é extremamente desgastante trabalhar e ter que dar quase metade de tudo para o Governo. Todos saem perdendo com isso. A estratégia tributária chega a ser maquiavélica. Você começa pagando um valor pagável e razoável, porém quando aprende seu negócio e sente o gosto e os louros que ele pode te trazer, o Governo vem e diz, “agora que você é grande eu vou tributar mais”, aí você não tem mais escapatória. Se você não ama seu trabalho e enxerga nele o seu futuro e da sua família, você desiste, você fecha. Mas cá estamos, afinal, desistir não é uma opção!

Qual o principal desafio de empreender sendo mulher? 

Há sim uma série de dificuldades sendo mulher e empreendedora. Todos os tipos de preconceito estão no nosso meio o tempo todo. Eu aprendi a lidar com o preconceito desde muito nova, ou por ser mulher, ou por ser mulher e ter uma opinião forte, ou por ser mulher e chamar atenção... sempre somos subestimadas. Se você é bonita não deve ser inteligente, se você é mulher você não pode estar em posições de liderança... enfim, são várias as situações que vivenciamos nesse sentido. O aprendizado para mim foi desde cedo, afinal eu não podia dar ouvidos a todos estes julgamentos que eu sabia que não me cabiam. Eu precisava ser mais inteligente que isso! Foi então que decidi contornar essas situações, afinal se eu me focasse no vitimismo acabaria por não alcançar meus objetivos. Resolvi que todos esses preconceitos faziam parte dos obstáculos que temos que passar para realizarmos nossos planos. Hoje, nos meus negócios, se eu sinto que existe algum tipo preconceito por ser mulher, por exemplo, levo um representante homem comigo. Em dois minutos de conversa as pessoas já estão escutando quem entende do assunto. Precisamos criar ferramentas para poder contornar estes preconceitos e sermos ouvidas, pois, a partir do momento em que as pessoas escutam a respeito do que elas precisam, querem e têm necessidade, desconstruímos os pré-julgamentos. Eu aprendi a lidar com isso. Faço uma leitura do meu cliente e me adapto. Utilizo de todas as ferramentas de comunicação estratégica disponíveis, cores, tons, formas de falar tudo que temos à disposição. O importante é a meta, sem ressentimentos, além de muitos negócios fechados.

Como você avalia as pessoas para trabalharem com você?

Eu preciso enxergar nelas garra, ritmo, agilidade de pensamento, e pró atividade. Preciso que elas caminhem comigo. A troca é essencial. Tive vários péssimos exemplos de líderes na minha vida, e todos eles me mostraram a líder que eu não queria ser. Quero que as pessoas estejam felizes nas suas vidas e no seu trabalho. Gosto de alimentar os sonhos e planos. Muitas vezes eu mostrei o quão alto elas poderiam ir e depois assisti o seu voo para longe de mim, e fiquei feliz com isso. Como ser humano eu quero mostrar para as pessoas que elas não só podem como devem ser prósperas. Que elas têm total capacidade de planejar, trabalhar e conquistar. Todos somos capazes. Insisto em alimentar isso em todos à minha volta, positividade, planejamento, ação e resultado.

Como alguém pode formar uma mente empreendedora como a sua? 

Penso que se deve começar estabelecendo quais são os planos que se gostaria de alcançar, em todas as esferas da vida. A partir dai deve-se averiguar quais são os gostos, e coisas que trazem prazer. A capacidade de empreender vai ser gerada da vontade e necessidade de alcançar estas metas. O empreendedor não se conforma com a realidade, ele “precisa” transformar, buscar melhorias. A partir do momento em que se decide vencer, e conquistar, está formada a mente necessária para o êxito. Desistir não pode ser uma opção. Não se pode deixar o cansaço ser motivo de desistência. As dificuldades precisam ser estímulos para a inovação e para a criatividade.

Você tem uma filhinha. Como é a vida que você imagina para ela?

Sim, ela é a melhor parte de mim e da minha trajetória. É muito complicado pensar num cenário de planejamento para a vida dela, afinal sei que não tenho controle sobre isso. Então procuro acalmar meu coração. O que eu posso, como mãe, é fazer o meu melhor, ser modelo de atitudes e hábitos. Eles nos seguem e nos imitam o tempo todo. Busco orientar espiritualmente também. Agradecemos todos os dias as bençãos e proteções que Deus nos concede. Lembro a ela diariamente, que temos um Deus que nos cuida e nos guia.

Você é formada em Comunicação Social. O que você pensa do Jornalismo no Brasil? 

Pergunta difícil, até mesmo comprometedora. Minha opinião é bastante forte em relação ao cenário da comunicação no Brasil e no mundo. Todos os dias vemos uma imprensa completamente parcial e corrompida. Não foi isso que aprendemos na faculdade, não foi isso que juramos fazer. Juramos trazer a notícia sem pré-julgamentos. O julgamento quem faz é o público. Hoje estamos colapsados. Leitores, ouvintes e telespectadores são bombardeados por notícias completamente manipuladas e cheias de segundas intenções. A entrelinha uma vez era disfarçada, hoje está escancarado, é de chorar. Tenho vergonha alheia da grande maioria dos profissionais da comunicação deste país.

Você deixou a Serra Gaúcha para morar em algumas capitais como Porto Alegre, Florianópolis e Rio de Janeiro, como foi essa experiência e o que te fez voltar? 

“Sempre tive um espirito desbravador e muita curiosidade, na adolescência tive oportunidade de escolher onde cursar a faculdade e logo escolhi um lugar mais quente e diferente, fui morar em Florianópolis, cursar Arquitetura, e lá fiz amizades que cultivo até hoje. Foi uma fase muito bacana de descobertas e muitas dúvidas. Somos chamados muito cedo para definirmos a profissão, o que não foi nada fácil para mim. Eu gostava de tantas coisas, me via fazendo milhares de atividades e amando todas elas. Neste período recebi uma proposta de transferir a faculdade de arquitetura para a PUC de Porto alegre, o que imediatamente aceitei. Simultaneamente comecei a cursar Comunicação Social – Jornalismo. Eram longas jornadas de estudo, mas ali estava fazendo um lastro de conhecimentos para ter um pouco mais de bagagem para definir o que realmente gostaria de exercer. Neste período já estava extremamente ansiosa para “trabalhar”, ver como funcionava o mercado e, por isso, segui apenas com a faculdade de Jornalismo. Assim consegui adequar um turno para meu primeiro empreendimento, uma Clínica Veterinária. Eu tinha muita percepção que as escolhas neste período da minha vida seriam decisórias para como seria meu futuro, então sempre buscava estar feliz e realizada. Precisava sentir que existia algo empolgante e que me fizesse sentir que valia a pena. Este sempre foi meu norte. Nessa clínica, meu primeiro projeto, coloquei muito do que faço hoje em qualquer iniciativa, inovação, amor, organização financeira e trabalho de comunicação estratégica. Tudo estava prosperando e começando a dar lucros. Mas eu fiz as contas, e, ali, nunca chegaria onde planejo em relação a conquistas profissionais e financeiras. Aí então, quando estava tudo redondinho, tive meu primeiro contato com a venda e ganho de capital de empresa, vendi o empreendimento. Era tudo pequeno, mas ali estava o dia a dia de um empreendedor. Neste período eu já sabia que seria empresária, só precisava encontrar o produto certo e o caminho estrategicamente mais acertado para poder ter resultados de acordo com meus planos. Vendida a clínica segui com os estudos de Comunicação Social, e me formei em Jornalismo. Foi neste período que mudei para o Rio de Janeiro. A pergunta que me fazia era “onde quero construir minha família?”, gosto tanto de lugares quentes. Era uma busca, uma observação e um aprendizado. O mais legal de tudo é que a maturidade foi chegando e, aos poucos, e maduros, valorizamos as essências, a família. Voltei pra Caxias do Sul.

Desde que começou a empreender, você sempre foi muito reservada. Por que agora você decidiu se mostrar, concedendo essa entrevista?

Acompanho o trabalho realizado pela revista e só tenho elogios a fazer a toda a equipe da NOI nestes anos em que nossa pareceria vem durando. É um trabalho de primeira linha, um jornalismo elegante, com conteúdos relevantes à sociedade. Aplaudo de pé com louvor a maneira como conduzem esta revista. A exposição é algo que pode trazer inúmeros benefícios, aliás isto todos os teus clientes sabem muito bem, que uma boa comunicação estratégica é fantástica para uma empresa ou profissional autônomo. Porém, a exposição também vem acompanhada de situações não tão boas. Atraímos todo o tipo de atenção, e algumas podem não ser tão saudáveis. Houve um tempo de gestação desta ideia, que culminou numa vontade muito grande de me fazer presente neste rol de grandes líderes e empreendedores que passaram por estas páginas. Espero ter contribuído.

 

 

ENTREVISTA I CAROLINE PIEROSAN
FOTOS I JOSUÉ FERREIRA / EVANDRO REINALDO