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Legado

Planejamento, Inovação e Missão

Fernando Gonçalves dos Reis, presidente da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário, diretor-executivo da Prolar Imóveis, integrante da Diretoria de Desenvolvimento e Competitividade da CIC Caxias do Sul, fala sobre a trajetória de 50 anos de sucesso da empresa, explica sua visão sobre negócios e avalia o futuro da Serra Gaúcha

"As pessoas querem e terão mais autonomia, e cada vez serviços serão mais personalizados. Nós estamos chegando ao fim da era da padronização" (Fernando Gonçalves dos Reis) A Prolar tem 48 anos de uma história de vanguarda e pioneirismo dedicada ao setor imobiliário em Caxias do Sul e na Serra Gaúcha. O fundador e diretor-geral Vilson Pascoal Dalla Vecchia da Prolar (na foto com sua equipe) celebrou, em 2017, 50 anos de trabalho. No dia 11 de agosto de 2017 ele recebeu o título de Cidadão Caxiense, outorgado pela Câmara Municipal de Caxias do Sul, e foi homenageado pela CIC Caxias na reunião-almoço do dia 14 de agosto "A economia de Caxias precisa se diversificar. Nossa matriz produtiva precisa se ampliar e nós precisamos ser conhecidos, Brasil afora, pela atuação em outros segmentos. Não podemos mais ficar tão à mercê de oscilações como ficamos na última crise. Neste sentido a área da construção civil pode ter uma contribuição ainda mais importante" (Fernando Gonçalves dos Reis) Fernando Gonçalves dos Reis assume a presidência da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI) no seu 20º ano de atuação. A entidade atua em 74 cidades e 17 estados. Conta atualmente com 37 empresas associadas. A ABMI conta (através de seu associados) com cerca de 72 mil imóveis em ofertas para locação e mais de 110 mil para venda, tendo a participação de cerca 5 mil corretores credenciados em todo o Brasil

ENTREVISTA I Caroline Pierosan l FOTOS I Josué Ferreira

À frente de uma das primeiras imobiliárias de Caxias do Sul, a Prolar Imóveis, que, após quase meio século de atuação no mercado, se mantém pujante e inovadora, o diretor-executivo Fernando Gonçalves dos Reis começa um novo ano cheio de planos e com muitas responsabilidades. Além de manter a trajetória de pioneirismo da empresa, com planejamento estratégico e realizações constantes para expandir e inovar os processos e serviços, Fernando também assume a presidência da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI) e a liderança da Diretoria de Desenvolvimento e Competitividade da CIC Caxias do Sul. “Eu acredito que não vim ao mundo a passeio! (risos)”, afirma o jovem empreendedor. “Estou aqui para cumprir uma missão. Em tudo o que eu faço, vejo um propósito maior. Quando falamos de modernização, de inovação, tecnologia, futuro, processos e de qualidade, por trás de tudo isso há seres humanos. Há pessoas, tanto as que geram os movimentos quanto as que se beneficiam deles”, afirma consciente. “Então, nossa responsabilidade é muito grande! Como profissional sempre procuro olhar o algo a mais além das ações, ou seja, qual o benefício que elas podem trazer para a sociedade. Esse meu envolvimento com as entidades visa não apenas contribuir para o meu segmento, para a minha empresa, mas fundamentalmente, gerar algo de positivo para a sociedade. Quero deixar um legado, algo que realmente possa ajudar as pessoas a viverem bem. Quero que possamos ter uma cidade e um país melhor”, vislumbra. A seguir ele fala sobre negócios, planos para a empresa, e metas que tem para bem representar a cidade e a Serra Gaúcha à frente das entidades e grupos que passa a encabeçar. 

NOI: Qual o segredo da Prolar para se manter tão pujante e inovadora, mesmo tendo quase meio século de história? 

Fernando Gonçalves dos Reis: Além da oferecermos serviços nos três principias segmentos imobiliários (alugueis, administração de condomínios e vendas), em cada uma dessas frentes temos uma forma muito peculiar de trabalhar. Na área de alugueis, por exemplo, trabalhamos com garantias que são inéditas, com um processo ágil, rápido e flexível. É muito diferente de tudo que as pessoas estão acostumadas a encontrar no mercado. Normalmente se pensa que alugar um imóvel é um processo lento, demorado e burocrático. Nós trabalhamos muito para eliminar essa burocracia. Nossos processos estão bastante ágeis. É possível alugar um imóvel conosco em 24 horas. Em todas as áreas trabalhamos com diferenciais em tecnologia, mas, fundamentalmente, eu acredito que seja o fato de trabalharmos com o foco em processos voltados para qualidade, dentro de um sistema de gestão da ISO 9001 que nos destaca. Isso gera uma série de diferenciais, em relação ao padrão de trabalho e à nossa forma de atuação. Temos processos de melhoria contínuos, o envolvimento das pessoas, um bom ambiente de trabalho em muita organização. Uma série de fatores que a ISO nos propicia em termos de agilidade e de melhoria, com foco na satisfação do cliente. O nível de exigência está aumentando. As pessoas querem cada vez mais em relação a qualidade, querem idoneidade nas empresas. Nós trabalhamos para manter esse padrão. 

Por que atuar em tantas áreas diferente quando a tendência para as empresas hoje é de segmentar cada vez mais seus produtos e serviços? 

Hoje as pessoas querem comodidade, facilidade e agilidade. Elas não querem ter que ir em vários lugares para resolver um problema, mas sim, ir em um único lugar e saber que ali encontrarão todas as soluções que buscam. No segmento imobiliário, cada um desses serviços automaticamente gera demandas para o outro. Nós conseguimos ter integração dos serviços que a gente presta aproveitando a estrutura, principalmente a administrativa, com áreas corporativas que atendem a todos os segmentos. Financeiro, RH, qualidade, marketing, por exemplo, são áreas que conseguem atender a empresa como um todo. Além disso, fica cômodo para o cliente também, pois podemos atender várias de suas demandas. Se quer comprar, ou vender, ou alugar, ou administrar o condomínio, tudo podemos oferecer aqui. Sob outra perspectivam trabalhar com vários segmentos nos propicia equilíbrio em momentos de instabilidade.

Por que expandir a marca para Bento Gonçalves?

As pessoas querem cada vez mais serviços que sejam automatizados, integrados, fáceis de acessar, e que, obviamente, tenham um preço justo. Esse processo de inovação precisa continuar e será acelerado nos próximos anos. Acreditamos que a expansão territorial, com a filial em Bento Gonçalves, é uma forma de darmos sustentação a esse processo. Estamos buscando esta expansão entre cidades que terão um crescimento forte nos próximos anos, configurando o perfil que precisamos para trabalhar. Normalmente temos um projeto e planejamento para cinco anos. Neste próximos temos ideia de expandir para outras cidades, talvez da região mas provavelmente fora daqui, lugares que já identificamos ter potencial para crescimento forte em curto e médio prazo, onde a demanda por serviços imobiliários tende aumentar. A tecnologia vai nos auxiliar muito a manter esta prestação de serviços mesmo que as vezes à distância da nossa matriz. Vamos conseguir, por meio de postos de atendimento, manter o serviço qualificado levando para outros municípios a tradição, pioneirismo e toda a inovação que a Prolar propõe. Temos algumas cidades em nível nacional mapeadas, e existe essa possibilidade sim, de, nos próximos 10 anos, estarmos expandindo a nível nacional. Imaginamos que, neste momento, a forma de trabalhar no mercado imobiliário vai ser muito diferente do que é hoje. Temos buscado prever, com auxílio de especialistas, a transformação que vai ocorrer no mercado imobiliário - e vai ser bem grande! A forma das pessoas acessarem os serviços imobiliários vai se tornar muito mais automática por meio de aplicativos e plataformas digitais. Todos querem e terão mais autonomia, e cada vez os serviços serão mais personalizados. Nós estamos chegando ao fim da era da padronização. No nosso segmento a transformação vai ser muito grande neste sentido.

Para a Serra Gaúcha, qual a importância de ter um caxiense como presidente de uma entidade nacional como a Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI) ?

A ABMI está representada na Câmara Brasileira de Comércio e Serviços Imobiliários, que trata de políticas nacionais acerca do segmento, onde várias demandas são avaliadas, perspectivas são traçadas, projetos de lei são analisados, e se mede qual impacto eles causarão no segmento, além de propiciar um desenvolvimento e crescimento das empresas associadas. Por meio de pesquisas, de networking, de parcerias, nós auxiliamos também no desenvolvimento de produtos. Então alguns produtos que serão colocados no mercado imobiliário dentro de dois, três, quatro, cinco anos, nós temos acesso antes pelo fato de sermos associados da ABMI. A Associação tem uma representatividade forte no mercado imobiliário brasileiro. O meu envolvimento na associação é muito significativo e muito importante para a Prolar enquanto empresa. O fato de eu estar a frente da ABMI também é interessante para Caxias, e para o Estado, porque nós vamos ter a possibilidade de participar de uma forma bastante efetiva, de contribuir com um segmento que hoje é um dos principais do Brasil. Poder fazer parte disso trabalhando para que esse segmento melhore, se desenvolva e contribua para o crescimento do país, é muito gratificante. Caxias do Sul tem que buscar se tornar referência em outros segmentos que não apenas o metalomecânico. É uma área importante que foi responsável em grande parte pelo desenvolvimento da cidade e pela sua situação econômica privilegiada, mas, agora, a economia de Caxias precisa cada vez mais se diversificar. Nossa matriz produtiva precisa se ampliar e nós precisamos ser conhecidos, Brasil afora, pela atuação em outros segmentos que também tenham um impacto grande no nosso processo de desenvolvimento para que ele se torne perene. Não podemos mais ficar tão à mercê de oscilações como na última crise. O segmento da construção civil tem e pode ter uma contribuição ainda mais importante neste sentido.

Em que áreas Caxias do Sul precisaria se desenvolver com urgência, além do metalmecânico e da construção civil? 

Nós temos, no Turismo, um potencial muito grande! Estamos localizados estrategicamente entre duas cidades que hoje são pólos do turismo no Rio Grande do Sul, Gramado e Bento Gonçalves. Se nós nos organizarmos, nos prepararmos e criarmos alternativas turísticas interessantes, os turistas não só passarão por Caxias do Sul, mas também a verão como uma opção interessante para ficar e visitar. Caxias pode ser uma alternativa muito interessante. Nós temos regiões belíssimas. Temos opções não apenas no turismo industrial, como tem sido articulado, mas também, no turismo rural, por exemplo. Temos belezas naturais fantásticas, o Cânion de Palanquinhos, ali na Criúva, um lugar pouco conhecido até mesmo por quem mora na cidade, mas é belíssimo, e tem um potencial turístico muito grande. Basta que nós criemos a infraestrutura para isso. Caxias precisa mudar um pouco seu perfil. Por exemplo, hoje se você vai almoçar às 13h, já não encontrará boas opções e acabará comendo mal. Precisamos também, como sociedade, mudar um pouco a nossa cultura e entender que se nós queremos uma cidade turística, precisamos “nos abrir” para receber o turista. Ele não vem aqui para almoçar das 11h30min às 13h. Ele vai querer comer às 14h, às 15h. O problema é que aqui, quando chega às 23h, o pessoal dos restaurantes coloca as cadeiras sobre as mesas. Isso não pode acontecer. Temos que estar abertos para receber o turista. Precisamos querer. Isso exige não apenas uma ação organizada mas também uma mudança de comportamento. É um processo lento e demorado mas acredito que temos um potencial para tanto. Outra área que podemos desenvolver muito é a tecnologia. Nós temos já o Trino Polo que trabalha isso há bastante tempo e a própria Universidade de Caxias do Sul, criou um espaço para o desenvolvimento de startups. A tecnologia é absolutamente indispensável hoje para qualquer negócio. O nosso desenvolvimento como nação depende muito de todo o desenvolvimento tecnológico que formos capazes de produzir. Nós não podemos ficar só dependendo de outras cidades e de outros países. Porque se não, nós nunca seremos, efetivamente, uma cidade e uma nação desenvolvidas. 

Qual a perspectiva da Prolar para os próximos 50 anos?

A empresa sempre teve no seu DNA a característica da inovação. A Prolar nasceu de uma inovação, prestando um serviço de administração de condomínios que, na época, não existia. O Vilson Dalla Vecchia, fundador da Prolar, foi um Pioneiro, um desbravador que merece reconhecimento pela grande contribuição que deu e continua dando a Caxias do Sul. O que fizemos nos últimos anos foi dar sequência a esse processo, alinhamos a modernização da empresa com o que está acontecendo a nível de mercado, nas empresas imobiliárias, olhando para Caxias e até para o exterior, procurando alinhar a Prolar com esses movimentos para melhor atender aos anseios das pessoas. O perfil das pessoas está mudando muito. Toda essa corrupção que foi exposta nos últimos anos gerou uma mudança de comportamento muito grande. Todos estão muito mais exigentes em relação a questão da ética, da idoneidade, da honestidade, da transparência. Mas fundamentalmente, ninguém mais aceita um serviço mais ou menos. As pessoas querem um serviço de qualidade. Elas estão falando isso, e estão trocando de fornecedor quando não são atendidas. Esse nível de exigência está crescendo cada vez mais. Se não estivermos observando atentamente, vamos ficar para trás. Por isso continuamos olhando para as novas gerações. O que elas querem, o que demandam? Estamos fazendo investimentos em start ups, por exemplo, nos preparando para o futuro. Essa tecnologia, tão presente na nossa vida, não é coisa do futuro, já está acontecendo! E só vai se intensificar nos próximos anos. 

Quais são suas metas pessoais como líder em suas áreas de atuação?

Eu acredito que não vim ao mundo a passeio! (risos), estou aqui para cumprir uma missão. Em tudo o que eu faço eu vejo um propósito maior. Quando falamos de modernização, de inovação, tecnologia, futuro, processos e de qualidade, por trás de tudo isso há seres humanos, temos pessoas, tanto as que geram os movimentos quanto as que se beneficiam deles. Então, nossa responsabilidade é muito grande! Como profissional sempre procuro olhar o algo a mais além das ações, o benefício que elas podem trazer para a sociedade. Esse meu envolvimento nas entidades visa não apenas contribuir para o meu segmento, para a minha empresa, mas fundamentalmente, gerar algo de positivo para a sociedade. Quero deixar um legado, algo que realmente possa ajudar as pessoas a viverem bem. Quero que possamos ter uma cidade melhor, um país melhor. Temos que ter consciência que, a partir do nosso trabalho há pessoas que estão realizando sonhos e projetos de vida. Quando alugam, ou compram, ou vão constituir uma família, ou quando administramos condomínios, lidamos com famílias que moram ali procurando ser felizes, procurando viver bem, em harmonia. Tudo o que a gente faz tem relação com o que há de mais precioso na vida das pessoas que é a sua casa, onde moram, ou trabalham. As pessoas viajam e vão para vários lugares, mas onde elas mais gostam de estar é em suas casas. Eu não acredito que as mudanças que a gente precisa fazer no nosso país venham dos políticos. Eu não acredito mais. Hoje eu acho que as mudanças que nós precisamos vão ser executadas por nós mesmos,  pela sociedade. Precisamos parar de olharmos apenas para nós e passarmos a olhar para o todo, trabalhando para o todo. Precisamos fundamentalmente olhar para o futuro e acreditar que é possível construir algo melhor, com unidade e fraternidade.