Menu

Especial

Celebrando Vida

Para João Pulita mais que “acumular números” e “engavetar escrituras”, a vida e os negócios (por que não?) podem e deveriam ser uma celebração de encontros! 

"O cara que só pensa em números, vai continuar fazendo um amontoado de números, e a vida, fica para quando?" (Foto: Edson Pereira) "A presença de um profissonal de comunicação em uma empresa abre novas janelas, novas portas, areja as ideias!" (Foto: Edson Pereira) "Podes ter a melhor comida, melhor luz, melhor mesa, melhor decoração, mas sem emoção, não tem graça" (Foto: Edson Pereira)

“O fim é muito triste. Eu prefiro não ver”, conta o ícone, personagem e mito, João Pulita. Filho (o 5º, entre 8 irmãos) de uma família de Bento Gonçalves, tipicamente italiana (mãe Brugali, professora e dona de casa, e pai Pulita, agricultor, pedreiro, ferreiro, marceneiro, ‘um pouco de tudo’, como João mesmo diz), o colunista (caxiense desde os 8 anos, quando a família mudou-se para a maior cidade da Região) tornou-se, desde cedo, o artista do clã. “Eles pensavam que era fogo de palha, esse meu envolvimento com o teatro, com os eventos”, conta, ao revelar a opinião dos tradicionais pais e irmãos em relação aos seus movimentos sociais. Não era. Era uma faísca vibrante, que virou uma grande fogueira, ao redor da qual, até hoje, muitos se aquecem. A presença, o prestígio e a companhia de João Pulita é cobiçada por muitos na Serra Gaúcha. Colunista Social de destacado reconhecimento, João assina um dos lugares mais desejados na mídia regional. Ao comemorar 30 anos de escolhas diárias difícies - a quem ele dará visibilidade? - ele pode, já, e com toda a autoridade, avaliar sua própria trajetória e opinar sobre o panorama empresarial da Serra Gaúcha, no que tange o segmento de Eventos e Relações Públicas. Sempre cortês e muito amoroso, João recebeu a equipe da NOI para uma descontraída, porém importante conversa. A seguir ele revela sua opinião sobre valores, atuação dos profissionais da Comunicação no mercado regional, e sentido da vida. Essa, que ele queria jamais ver ter fim, como um grande e bonito evento, que poderia (e deveria), de acordo com ele, ser para sempre.

O que significa sair na coluna do João Pulita hoje?

João Pulita - Esse registro que é um registro para a posteridade, é muito importante. Mesmo diante do advento de todas essas redes sociais, o público ainda me procura. Existe uma solicitação contínua e constante das pessoas que celebram 15 anos, formaturas, casamentos. Elas querem e precisam (no íntimo de cada uma) desse registro no papel. O fato de eu estar aberto e receptivo para isso, contribui ainda mais para que as pessoas me busquem me procurem para ter registrados seus eventos num veículo de comunicação de credibilidade, para eternizar essa data! Para quem casa com amor, esse dia, o do casamento, é um dos fatos mais importantes da vida. Ter o registro, que vai ficar para a memória da posteridade, num veículo de comunicação, é muito importante.

Qual a diferença de sair na coluna do Jão Pulita e postar no Instagram?

Nessas plataformas, qualquer um pode fazer. Mas estar no meu espaço, nem todo mundo pode. Na verdade nem todo mundo tem acesso... Claro que, na medida em que me procuram, todo mundo pode. Porém, esse acesso, livre, de poder fazer o que tu queres, da tua casa, por exemplo, postar uma linda foto do passeio no parque no final de semana, é bem diferente né! Para estar ali (na minha coluna) há um caminho a ser percorrido.

É muito difícil escolher quem vai sair na coluna?

Eu tento contemplar o máximo de pessoas possível neste espaço. Primeiro, porque eu não tenho preconceito com ninguém. É gente, e eu adoro estar entre as gentes. Claro que uma boa foto ajuda, uma pessoa estando mais bonita, ajuda, tem vários fatores ai que aumentam a probabilidade… A importância que a pessoa tem para a comunidade também é um fator que considero. Por exemplo, você vai optar por usar uma foto da rainha da Festa da Uva da última edição, grávida, ou a foto de uma menina na balada? Claro que vamos optar pela personalidade!

Você chegou a fazer parte do Facebook e desistiu, por quê?

Logo no começo eu estava direto nessas redes sociais. Bem no início. Eu usava muito para divulgar as festas que eu realizava no Juvenil, de Final de Ano, de Natal. Usava bastante. Mas eu sai das redes sociais na medida em que começou a ficar “demais”. Primeiro que gerava em mim uma ansiedade que eu não queria. Toda a tecnologia, toda a rede social gera uma situação assim né. O WhatsApp hoje é o nosso grande inimigo. Porque as pessoas não acreditam que tu não leu a mensagem delas! E o Facebook e o Instagram, também, serviam como mais uma linha de comunicação comigo e mais um meio de solicitação. Então ficou uma loucura! Meu primeiro movimento foi me afastar. Agora, dia 15 de junho (2018) eu resolvi voltar, para o Instagram. Mas ainda quase me esqueço que estou ali. Eu utilizo mais para ver as pessoas e curtir as fotos, do que para me comunicar.

Por que você decidiu voltar ao Instagram?

Para investigar esse universo. Eu achei que eu precisava. Achei que era importante para a minha atividade profissional também... Espiar um pouquinho mais. Eu vou usá-lo, mas paulatinamente. Com muita tranquilidade, com muita calma. Sem compromisso. Não quero mais um compromisso. Quero que seja uma coisa assim, lúdica.

Por que você escolheu a àrea da Comunicação para ser o seu ambiente de vida?

Eu cou canceriano com ascendente em aquário. O canceriano tem uma personalidade mais amorosa, mais romântica e mais ingênua, e o aquariano ‘te joga para o ar’, com alma de artista! Então essas duas personalidades que me formatam, fizeram de mim essa persona da comunicação. Primeiro porque eu achava que eu ia ser artista mesmo, eu tinha essa coisa do teatro. Não de estar lá para me exibir no palco, eu gostava da direção, gostava dos bastidores. Isso me levou diretamente para os eventos. Por gostar dessa construção. Sempre gostei, de estar envolvido. Criar projetos, trabalhar em equipe. Então esse artista que residia em mim foi se transformando aos poucos num cara da comunicação.

Por que tua família mudou-se de Bento Gonçalves para Caxias do Sul?

Primeiro vieram de Bento para Caxias as irmãs mais velhas estudar. Na sequência disso os pais sentiram a importância de estar perto delas. Meus pais vieram por causa das minhas irmãs. Minha mãe era dona de casa e antes fora professora. O meu pai era de uma família de agricultores, tinham cantina, ele fez de tudo. Pedreiro, ferreiro, marceneiro... Ele faleceu ao final de 2017, aos 94 anos. Meu avô paterno foi um dos criadores da Estrada férrea que liga Bento, Garibaldi e Caxias.

Brugali e Pulita, famílias bem tradicionais italianas. Como foi a reação dos teus pais e irmãos, naquela época, quando você resolveu se envolver com arte, com teatro?

Eles não interferiam muito, achavam que era “fogo de palha”. Meus irmãos também falavam isso. Eu fazia faculdade de Relações Públicas, fui fazer uma cadeira eletiva, de Teatro, e fui ficando. A cadeira eletiva transformou-se num grupo, e eu segui com o grupo… então eles achavam que era uma coisa passageira mas não era. Eu fiquei 10 anos com espetáculos nesse período, o grupo chamava Oficina Um, da Universidade de Caxias do Sul. Nós representamos a UCS em vários festivais de teatro no Brasil. Foi muito bacana, uma experiência inesquecível. Acho que o Teatro também me deu essa capacidade de estar aqui, por exemplo, contigo, falando espontâneamente. Todo mundo deveria estudar um pouco Direito (como tu fazes) e Teatro (como eu fiz), são duas faculdades importantíssimas. Tem gente muito tímida, que passa a vida sofrendo, porque nunca teve a oportunidade de se mostrar.

Quantos anos você tinha quando começou a sua própria empresa?

Devia ter uns 27 anos. Isso foi há 30 anos. Quando eu comecei o meu escritório chamava Inspirações, (por sugestão de uma amiga minha) e esse escritório durou alguns anos. Logo em seguida um dos meus sócios da Inspirações foi morar em Londres (o Everton Petefi), e com a saíde dele eu tive que recomeçar, então por sugestão dele criamos o nome Lato Sensu, Assessoria de Comunicação. Uma empresa que organizava eventos.

Por que criar uma empresa assim?

Por conta das relações que eu já tinha. Eu já realizava muito network e achei que estava pronto para atender ao Mercado que precisava de alguém que organizasse eventos, principalmente no ambiente corporativo.

Qual foi o evento mais desafiador que você já promoveu?

Foram tantos. Fiz muita coisa! Os Natais no Clube Juvenil... a Feijoada que eu organizo há 20 anos, e eventos para empresas, por exemplo quando a Pansat veio para Caxias do Sul (na época do início da expansão da TV a cabo na Região). Foi um desafio fazer esse evento, mas também a comunicação, explicar para o público que isso existia…

Em que aspectos um evento se diferencia de todas as outras ações de marketing que um empresário pode promover?

Um evento tem um valor imensurável. Tu conseguires levar o teu cliente, ou futuro cliente, para dentro do teu ambiente, é fundamental - o corpo a corpo! Esse tipo de relação é imprescindível para o negócio, seja uma fábrica de parafusos ou uma loja de moda. Levar o público para “dentro de casa” é um feito fantástico. Um evento é um investimento. O empresário contemporâneo até sabe disso mas tem dificuldade em aceitar. Ele vive a dualidade entre a importância de absorver um profissional de comunicação na sua equipe, e o custo que isso requer. Mas eu acho que é uma falta de inteligência emocional inclusive. A presença de um profissonal de comunicação em uma empresa abre novas janelas, novas portas, areja as ideias. Comunicação é tudo! Todos nós fazemos comunicação, vivemos comunicação, o nosso dia a dia é feito dela. O fato da comunicação estar tão presente na nossa vida faz com que a gente, talvez, não perceba a sua importância. Dizem que, as vezes, o teu grande amor está “embaixo dos teus olhos” e tu não viu. É mais ou menos assim. Assim como o grande público lê e não sabe interpretar o que está lendo, acho que, da mesma forma, o grande público da Serra Gaúcha ainda tem dificuldade de interpretar o papel do Relações Públicas dentro de uma empresa, escritório e comunidade. Ainda é difícil…

O que não pode faltar num evento?

O que não pode faltar num evento é emoção. Se você é o aniversariante, se você é a alma do evento mas não estiver fazendo isso com emoção, fica vazio. Fica um vácuo… Podes ter a melhor comida, melhor luz, melhor mesa, melhor decoração, mas sem emoção, não tem graça.

É uma coisa que não tem como “ensinar” né…

É muito individual, essa questão. Ou tu faz um evento para receber as pessoas que tu amas, realmente, ou tu faz um evento para te mostrar, apenas. É diferente. Existe uma linha tênue ai… muito tênue.

Na Serra Gaúcha somos referência na Indústria, em Negócios, em Gastronomia. Somos referência na execução de eventos?

Eu acho que sim! Temos alta qualidade não só de profissionais trabalhando na comunicação como de fornecedores, em todos os setores, assim como a gastronomia que você citou, na produção de bebidas, na arquitetura, na decoração, iluminação, tecnologia, fotografia, produção de vídeo. Nós temos grandes profissionais aqui, que não perdem para nenhum, de qualquer outro lugar.

Qual é a habilidade que um empresário, que pensa em números, pode aprender com um RP?

Pode aprender a celebrar a vida né! Sem dúvida. Porque o cara que só pensa em números, ele vai continuar fazendo um amontoado de números, e a vida fica para quando? O profissional de RP coloca as relações humanas em primeiro lugar. Ele te chama para uma conversa, ele te chama para a comunicação, ele te mostra as possibilidades das relações com os outros, e te lembra de algo muito importante, que tu tens que celebrar a vida também!

Neste teu tempo de atuação talvez tenhas visto alguns casos assim, aqui na nossa Região…

Isso… muitas escrituras na gaveta e o álbum de fotografia das festas vazio. É essa a dicotomia. Acho que falta algo para o nosso público, que em sua grande maioria é de origem italiana né… parece que o italiano é um ser festivo expressivo, fala com as mãos… mas nos falta um pouco disso! Parece até que não o somos! A gente brinca muito, mas quando chega essa época do ano em que começamos a festejar a colheita, a Festa da Uva, parece que é uma festa, mas focamos no trabalho. Precisaríamos ter mais festas!

Por que você não gosta de falar do tempo?

A Simone de Beauvoir, costuma dizer que o passado foi um tempo com aprendizado, alegria, descontentamentos e esquecimento. O passado serviu para construir vários elementos, cultura, conhecimento e o próprio corpo. Então agora eu estou assim, agora eu sou assim, o futuro é o que me espera. O passado conta por essa construção, mas é passado. O que importa é o agora.

Você pretende escrever outro livro? E sobre o que ele seria?

Se eu escrevesse novamente, um dia, seria uma autobiografia, ou um livro sobre a minha história em meio a sociedade da Serra Gaúcha. Eu teria muita informação para compartilhar.

Por que você costuma sair antes dos eventos acabarem?

Eu penso assim… Nunca saia de uma festa que está muito boa para ir para outra que você não sabe o que vai acontecer. Então eu me preservo na festa boa, eu permaneço nela, só que eu saio antes para não ver o fim. É triste o fim. Os finais são sempre muito tristes. Imprimem um clima de desolação. Eu tenho um anseio, até certo ponto infantil, de que tudo deveria ser “para sempre”, e nada é. Tudo é muito transitório, passageiro né. Uma pena que nada é para sempre… uma pena que a festa não é para sempre!

Se fôssemos comparar a tua vida, a um grande evento, como você o descreveria?

Que pergunta difícil! Seria um evento programado, um evento com início, temática, meio e, infelizmente, fim… 

Entrevista I Caroline Pierosan I Fotos I Josué Ferreira

Trajetória
Colunista Social há 30 anos, João Pulita, natural de Bento Gonçalves, está em Caxias do Sul desde seus 8 anos, quando mudou-se para acompanhar a família. João foi o primeiro profissional de um jornal diário impresso no Brasil, a publicar fotos em cor em uma página social, em 1992. Nos anos de 2000 e 2002 recebeu o prêmio Top of Mind, pela Revista Amanhã, como o colunista de jornal mais lembrado da serra gaúcha. Formado em Licenciatura em Letras pela Universidade de Caxias do Sul, Pulita teve ampla atuação no recente passado cultural da cidade, deixando expressiva contribuição, seja em sua performance como um dos idealizadores do Grupo Teatral Oficina Um, ou mesmo como marchand da Galeria de Arte Soluzione. Persona reconhecida no cenário divulga personalidades e projetos ligados a Festa da Uva desde 1989, além de atuar com expressão em sociedade, por meio de sua participação efetiva como propagador e perpetuador das tradições das agremiações sociais da região. Realiza há 20 anos a Feijoada do Pulita, ação benemerente anual. O evento auxilia mais de 20 entidades assistenciais da cidade.