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Economia

Engajamento e Associativismo

Com a palavra: Elton Paulo Gialdi, presidente do CIC-BG

"Beira à ingenuidade acreditar que possamos melhorar o país sem nos envolvermos com a política" (Elton Paulo Gialdi, presidente do CIC-BG). Foto: Igor Guedes

Engajamento e associativismo são palavras de ordem na gestão de Elton Paulo Gialdi a frente do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves. A seguir ele fala sobre o momento econômico e reforça por que o trabalho colaborativo capitaneado pelas entidades representativas de classe é, sim, uma estratégia eficiente para o desenvolvimento da região.

NOI: O Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves tem desempenhado um papel importante não apenas na representação dos interesses da classe produtiva, mas também provocando engajamento político. Por que esse movimento?

Elton Paulo Gialdi: Beira à ingenuidade acreditar que possamos melhorar o país sem nos envolvermos com a política. Precisamos parar com o senso comum que nos leva a acreditar que todos políticos são iguais. Não são – e só nosso envolvimento com essas questões nos mostrará isso. Se ficarmos passivos diante dos descalabros todos os dias noticiados, aí sim essa prática tenderá a se perpetuar no país. Ao longo dos últimos meses, o CIC-BG protagonizou uma campanha para trazer a política ao centro do debate, pois acreditamos que nossa associação também deve exercer seu papel de liderança na comunidade como uma difusora de conhecimento. É a partir dele que temos mais esclarecimentos na hora de tomarmos nossas decisões e cobrarmos, enquanto cidadãos, aquilo que nossos representantes políticos têm a obrigação de fazer pela sociedade.

Que perspectivas você visualiza para a economia em 2018?

Falar em perspectiva de crescimento, de maneira geral, nos deixa receosos, então prefiro falar que estamos no caminho certo. Neste primeiro semestre, pela primeira vez desde 2015, tivemos um período de seis meses em que contratamos mais do que demitimos, e isso é um indicativo de que estamos conseguindo crescer. Entre janeiro e junho deste ano, foram criados 918 postos de trabalho. No ano passado, nesse mesmo período, havia um déficit de 170 vagas. Também foram abertos quase mil empreendimentos neste ano, sendo mais de 500 voltado à prestação de serviços. Há de se destacar o investimento de R$ 168 milhões por parte de várias empresas da cidade em seus empreendimentos, como a M. Dias Branco, a Aurora e a Caitá. Vejo que conseguimos estancar a queda, e isso é algo a ser comemorado. A retomada, porém, está muito lenta e gradativa, ainda temos uma enormidade de ajustes para serem feitos a fim de garantir uma recuperação mais efetiva.

Bento Gonçalves diversificou sua atuação, com o crescimento de setores como o turístico e o vinícola, ao lado do industrial, como o moveleiro. Isso é um sinal de maturidade econômica?

Sem dúvida. O caminho que Bento Gonçalves está desenvolvendo é extremamente positivo. O turismo é uma fonte importante de receitas, motivo pelo qual temos que estar atentos às oportunidades relacionadas ao segmento. Apenas neste primeiro semestre, quase meio milhão de pessoas visitaram Bento Gonçalves e contribuíram ativamente na movimentação da economia. Já temos, no enoturismo, várias ações de sucesso, e estamos indo bem com o turismo de negócios, vide nossas feiras. Agora precisamos explorar mais o turismo industrial.  

Quais os grandes avanços e os grandes desafios do empresariado de Bento Gonçalves?

A principal vitória dos setores produtivos é sobreviver a esta crise profunda e longeva. Precisamos dessa consciência: por mais criatividade e inovação que possamos implementar em nossas empresas, dependemos muito de fatores externos para o crescimento. O câmbio vem contribuindo muito para as empresas exportadoras. Nossas marcas e a qualidade dos produtos, a exemplo dos vinhos, têm tido grande evolução, agora precisamos ser mais competitivos economicamente. As lacunas que temos são impostos mais honestos e adequados. Não tem mais como o setor produtivo bancar esta farra com o dinheiro alheio, o governo precisa rever seus gastos urgentemente, gasta-se muito e mal. A máquina pública é inchada e inoperante, e precisamos urgentemente rever este quadro. Outro fato desanimador é a inoperância, somada à burocracia, ao excesso de regulamentações que só fazem travar o desenvolvimento e o empreendedorismo. Nossa infraestrutura é lamentável, não temos rodovias adequadas, precisamos rever rapidamente o sistema de concessão de rodovias e privatizar empresas que o governo não tem competência para administrar. Em sua maioria, o que é público não tem resultados positivos. Precisamos ser honestos e expor nossas carências para evoluir.

Bento Gonçalves tem ganhado notabilidade pela união da iniciativa privada. Por que apostar nessa estratégia associativista?

Quando juntam-se pessoas e entidades envolvidas com o bem coletivo, sem interesses pessoais, e com a sociedade sabendo os porquês que nos levaram a agir de tal forma, as chances para dar certo aumentam. Por exemplo, na questão de segurança, temos o Consepro com uma sólida relação com as empresas e a sociedade. Graças a isso temos conseguido arrecadar recursos para fortificar nossas forças policiais, doando veículos ou encampando projetos como o Centro Integrado de Operações, uma sala onde várias câmeras monitoram pontos importantes da cidade.