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Design

07/05/2018

Milão, máquina com design!

“E saber-se que, sim, no ano que vem, serão apresentadas novas linhas de produtos, que passam por todo um processo de planejamento, definição de estratégias, projetos, protótipos, tecnologias, matérias primas, custos e marketing! Que fôlego!”

Ou seja, a Feira de Milão e a cidade são únicas e uma coisa só. Nos trezentos e cinquenta mil metros quadrados de área de exposição, como no resto da cidade, se escolhe o que se quer ver, e se vê de tudo Registro de Paulo Bertussi em sua passagem pela feira italiana de design I Saloni, realizada todos os anos em Milão Registro de Paulo Bertussi em sua passagem pela feira italiana de design I Saloni, realizada todos os anos em Milão Registro de Paulo Bertussi em sua passagem pela feira italiana de design I Saloni, realizada todos os anos em Milão O profissional atento tem a obrigação de não se encantar com nada. Precisa chegar na feira totalmente informado dos novos lançamentos, das novas tendências de cores, luzes e texturas Registro de Paulo Bertussi em sua passagem pela feira italiana de design I Saloni, realizada todos os anos em Milão Registro de Paulo Bertussi em sua passagem pela feira italiana de design I Saloni, realizada todos os anos em Milão Se trata, na verdade, de uma ampla e complexa convergência de fatores que levam a experimentação de um leque de vertentes que fazem de Milão uma das estruturas turísticas mais importantes do mundo

Paulo Bertussi

Certamente Milão como cidade, centro industrial, cultural e político da Itália é muito mais que design. ‘I Saloni”, a maior feira da indústria moveleira do mundo também não é só design. A grandiosidade do evento, em todos os aspectos, nos obriga a refletir sobre a complexidade da organização, sobre o esforço dos expositores e a respeito da atração planetária que exerce sobre seu público. Não é só para quem transita no setor moveleiro, entendido como o universo da produção, criação e comercialização de móveis e objetos setorizados em casa, cozinha, banho, iluminação, que a “experiência Milão” é um divisor de águas. Se trata, na verdade, de uma ampla e complexa convergência de fatores que levam a experimentação de um leque de vertentes que fazem de Milão uma das estruturas turísticas mais importantes do mundo. Não é preciso ficar enumerando as dezenas de monumentos históricos, igrejas, museus, praças ou parques. Fiquemos numa rua, a Monte Napoleone e arredores, o chamado quadrilátero da moda. Nesta área, por exemplo, estão instaladas todas as grandes grifes da moda de todas as bandeiras, desde as tradicionais francesas às mais “pop-riche” como Dolce & Gabana, exibindo na vitrine uma bolsa feminina de EE 40.000 (R$ 180.000,00). Claro, tudo dentro da mais singular de todas as verdades mercadológicas, pois esta bolsa só existe pelo simples fato de que há alguém que a compre!

Na medida em que as vitrines sucedem-se percebe-se que o exercício estético é perseguido à exaustão, desde a concepção arquitetônica da loja, ao mínimo detalhe da programação visual da vitrine, onde tudo é pensando para evidenciar formas, luzes e cores nos objetos, com a intenção clara de massagear o córtex cerebral do consumidor. Nestas redondezas concentram-se os grandes e incríveis shows–rooms das grandes empresas do setor. Além de estarem presentes marcando espaço na Feira, do final da tarde em diante, recebem arquitetos e clientes festivamente, numa animação que mistura apresentação de novos produtos, música e, é claro, muita champagne. Todas estas ações fazem parte do envolvimento de toda a cidade com a Feira, no que denominam de “Fuori Saloni”. Como o nome diz, são as atividades que estão fora do complexo do parque de exposição. São centenas de mostras, shows, performances de dança, fotografia, artes visuais, workshops, festas que se  movimentam madrugada dentro, especialmente na Via Tortoni e arredores.

Este espirito toma seu ponto mais alto quando emoldurado pela praça da Duomo, com certeza, um dos mais extraordinários espaços públicos do mundo. Uma imensa praça seca, onde reúne-se uma multidão para apreciar os monumentos que a circundam, especialmente a catedral, iniciada no século XII, que, após quatrocentos anos de obra, resultou em um fantástico exemplo arquitetônico do neo-gótico renascentista com vitrais inimagináveis e a Galeria Victor Emanuelle, obra neo-clássica de ano 1867, com suas lojas, sorveterias e restaurantes disputados pelos visitantes de todas as partes do mundo. Ao lado, na Rinascenti, a grande loja de departamentos de Milão, com terraço que dá vistas a Duomo, tem uma extraordinária cafeteria. Neste local reúne-se o pessoal do mundo da moda - designers, empreendedores e especialmente as modelos.

Ou seja, a Feira de Milão e a cidade são únicas e uma coisa só. Nos trezentos e cinquenta mil metros quadrados de área de exposição, como no resto da cidade, se escolhe o que se quer ver, e se vê de tudo. O profissional atento tem a obrigação de não se encantar com nada. Precisa chegar na feira totalmente informado dos novos lançamentos, das novas tendências de cores, luzes e texturas. Estas informações estão disponíveis nos próprios sites das empresas expositoras. Entretanto há algumas coisas mágicas que só estando lá, “vendo de perto e sentindo” que podemos dimensionar. A primeira, mais objetiva trata-se de entender como um evento desta envergadura obtêm folego financeiro para ser realizado todos os anos. O investimento, refletido no porte e qualidade estética e tecnológica dos estandes, especialmente das grandes marcas é extraordinário, calculado em milhões de euros. E saber que, sim, no ano que vem, serão apresentadas novas linhas de produtos, que passam por todo um processo de planejamento, definição de estratégias, projetos, protótipos, tecnologias, matérias primas, custos e marketing! Que fôlego! A segunda maravilha é que, independente do que a Feira apresenta como inovação ou renovação, mergulhamos num exercício intenso de percepção estética, onde o design está presente nos mínimos detalhes, desde as latas de lixo às sombras projetadas dos leds das luminárias nos stands. Ali o design é o próprio combustível da maravilhosa máquina chamada Milão, um divisor de águas entre quem viu e quem não viu, um lugar onde no cardápio, pode-se ler o preço de uma “coca-cola” à trinta reais.