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O Comércio e a Inovação

"Os mais inovadores têm maiores chances de sobreviver e prosperar em um mercado consumidor mais exigente e, ao mesmo tempo, cada vez menos apegado às marcas"

A permanência de uma empresa no mercado depende de vários fatores. Para serem realmente competitivas e longevas, as empresas precisam cada vez mais desenvolver a capacidade e a cultura da inovação. É ela quem permite ganhos competitivos e adaptação mais fácil às mudanças no ambiente de negócios, diminuindo a exposição aos riscos. Ao estabelecer uma estratégia de inovação, ganha a empresa, seus colaboradores, clientes e consumidores, dinamizando toda a cadeia produtiva. Neste artigo, no entanto, quero focar a cultura da inovação presente nas empresas do setor em que atuo há mais de 40 anos, que é o comércio. Importante que se diga que a inovação é um tema relevante para os empresários que participam das ações promovidas pela CIC, e, o grande desafio, tem sido implementá-la nas rotinas organizacionais de maneira sistematizada.

Por isso, talvez seja importante relembrar a origem do comércio. O setor na Serra Gaúcha se iniciou com a chegada dos imigrantes italianos a partir de 1875, quando a economia local começou a se estruturar com a agricultura e os primeiros comerciantes. A história nos conta que os colonos produziam tudo o que fosse possível para a sua própria subsistência. Para adquirir outros alimentos e produtos de necessidade da família, utilizavam o sistema de troca, dando início ao comércio local. Logo no início da organização e povoamento da Colônia Caxias já existiam 10 armazéns de secos e molhados, além de outras 85 casas comerciais espalhadas pelos travessões e léguas para uma população de pouco menos de quatro mil habitantes. Tempos difíceis superados com muito trabalho e boa dose de obstinação e criatividade.

Hoje, a importância do comércio no cenário econômico vem sendo cada vez mais reconhecida e destacada. Gerador de grande parcela do número de empregos formais no país, o setor exibe – em média – índices expressivos de crescimento, além de consistentes indicadores de modernização. No Rio Grande do Sul, o comércio varejista registrou cerca de 450 mil empregos formais em 2017, segundo dados oficiais mais recentes. Isso corresponde a 21% de todo o mercado de trabalho no estado, conforme indicadores da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas. Em Caxias do Sul, são 28 mil empregos diretos e 4.538 estabelecimentos comerciais.

O comércio é o elo entre a indústria e o consumidor. Fato inegável! Essa importância crescente do setor varejista não é, porém, apenas resultado do consumo. É também resultado de uma profunda transformação que tem ocorrido no próprio setor. Sim, a inovação também chegou ao comércio. O segmento está indo à luta, reivindicando maior atenção e apoio, justamente pelo que representa como gerador de empregos, pelo volume de impostos que arrecada e pelas modernas práticas de gestão adotadas, contribuindo para o desenvolvimento do país. Em Caxias do Sul, não é diferente. Nosso comércio é forte e representativo, apesar das dificuldades que enfrenta. Aqui, busca-se sempre incorporar as melhores práticas, processos e recursos técnicos e humanos como forma de melhorar a eficiência e a produtividade. Foco, competência e visão colocam nossas empresas varejistas entre as melhores.

Como CIC, continuaremos defendendo os interesses da classe empresarial, buscando abrir os caminhos para a inovação e para o desenvolvimento, ao lado dos sindicatos do comércio – Sindigêneros, Sindilojas, Sindipetro e Sirecom e da entidade CDL Caxias, todas atuando em prol de seus associados e da população. Como já dissemos, são evidentes os benefícios de quem inova. Os mais inovadores têm maiores chances de sobreviver e prosperar em um mercado consumidor mais exigente e, ao mesmo tempo, cada vez menos apegado às marcas.

Jaime Andreazza | Vice-presidente de Comércio da CIC Caxias