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Adriana Schio

Como a Inteligência Artificial Impacta Nosso Dia a Dia?

Dos robôs ao Facebook, Linkedin, Youtube, Netflix... estamos rodeados por inteligência artificial

"Para atividades repetitivas, pesquisas, leitura, compreensão de dados e análise, a IA tem capacidade para processar bilhões de informações, com assertividade muito superior ao homem" (Sergio Gama, senior developer advocate leader for Latin America da IBM). Foto: Adriana Schio A Conecta, de Caxias do Sul, empresa focada no mercado da tecnologia da informação está desenvolvendo um software de IA com frameworks da Google, o TensorFlow e o DialogFlow "Tudo o que pode ser medido por produtividade será substituído por inteligência artificial, por isso o seu crescimento e impacto em diversos setores" (Pedro Waengertner, Ceo da ACE e professor da ESPM-SP). Foto: Divulgação A Youbot oferece um sistema híbrido, no qual o bot faz o atendimento e o ser humano acompanha, caso o robô não esteja fazendo o atendimento de forma satisfatória. Foto: Divulgação A Randon X é célula de inovação multidisciplinar focada em se conectar com o sistema de startups e o ecossistema externo de inovação. Foto: Ana Paula da Rocha

Você já ouviu falar em Inteligência Artificial (IA), ou em inglês Artificial Inteligence (AI)? Sabe do que se trata e para que serve? Quando pensamos em IA nossa percepção logo leva aos robôs,  até por uma construção do cinema e da ficção, mas, na realidade, ela vai muito além disso. Sistemas inteligentes já estão presentes em nosso cotidiano, embora diversos deles passem despercebidos. Alexia, Facebook, Linkedin, Youtube, Google e Netflix são apenas alguns exemplos da presença da IA na nossas vidas. Mas afinal o que é inteligência artificial? Na literatura sobre o tema os conceitos divergem entre os autores. De maneira simples, IA é a tecnologia que permite que a máquina consiga pensar, tomar decisões e auxiliar ou substituir os humanos neste processo. “Ela nada mais é do que algoritmos matemáticos em programas de computadores que, ao invés de serem determinísticos e darem uma resposta exata para algo que foi processado, têm a capacidade de entender padrões e aprender simulando a capacidade cognitiva do homem e, a partir disso, interagir, raciocinar e responder”, explica Sergio Gama, senior developer advocate leader for Latin America da IBM, que palestrou sobre o tema no 6º Innovation Day, realizado em Caxias do Sul.

Com capacidade para processar bilhões de informações e transformá-las em dados estruturados, a IA já tem aplicação, hoje, nos mais variados setores e atividades, exercendo o papel de “empoderar” os profissionais, como médicos, advogados, engenheiros, arquitetos e tantos outros, que passam a exercer funções mais estratégicas, cognitivas e que agregam valor à atividade, enquanto a máquina fica com a função repetitiva. “Tudo o que pode ser medido por produtividade será substituído por inteligência artificial, por isso o seu crescimento só aumenta, impactando em diversos setores”, acredita Pedro Waengertner, Ceo da ACE e professor da ESPM-SP.

 

Dados transformados em conhecimento

 

É preciso lembrar que a base mais importante para essas máquinas inteligentes são os dados, ou seja, as informações armazenadas, processadas e cruzadas entre si. Quanto maior for o volume de dados, maior a amostragem para que o algoritmo consiga transformar em conhecimento, que é adquirido por meio do histórico e das experiências. Assim, big data passa a ser essencial para o treinamento do sistema cognitivo. A internet das coisas (IoT) também pode auxiliar no processo por ser geradora de dados em tempo real na ponta. A integração dos três – IA, big data e IoT – é o sistema ideal e serve, inclusive, para fazer análise preditiva. Em tempos em que se valoriza muito a experiência do usuário, o uso inteligente dessas tecnologias e a interação com o cliente em linguagem natural por meio da IA podem ampliar – e muito – a experiência do cliente, tanto online como offline.

Grandes empresas já estão trabalhando na chamada “deep learning” (aprendizagem profunda), um dos mais promissores campos da IA, que pretende fazer dos sistemas entidades capazes de aprender evolutivamente. Mas, ainda não é possível (e talvez nunca será) eliminar o fator humano do processo. O fato é que, apesar do seu elevado potencial, a IA ainda tem limitações. “Tem várias coisas do ser humano que são abstratas e baseadas em experiências subjetivas que a AI não faz e provavelmente não fará a curto prazo. Mas para atividades repetitivas, pesquisas, leitura, compreensão de dados e análise de informações, ela tem capacidade para processar bilhões de informações, com assertividade muito superior ao homem”, pondera Gama.

 

Carência no Brasil

 

Cerca de 90% das soluções que utilizam IA, hoje, no Brasil, importam tecnologia, num mercado que é dominado por grandes players, como IBM, Google, Microsoft e Amazon. O número de empresas desenvolvendo machine learning e IA no Brasil ainda é pequeno quando comparado às economias mais desenvolvidas e a maioria das organizações que estão apostando nessa tecnologia utilizam frameworks prontos de gigantes como a Google. Em 2017, foi criada a Associação Brasileira de Inteligência Artificial (ABRIA) com o objetivo de mapear iniciativas brasileiras no setor, englobando esforços entre as empresas nacionais e formação de mão de obra especializada. O que mostra o seu impacto na sociedade e na economia. A certeza dos especialistas no tema é que a IA se alastrará no nosso cotidiano com crescimento exponencial. “Frente a todas as tecnologias que conhecemos, acredito que a AI vai ter o poder de transformar a nossa vida de uma maneira que nem conseguimos imaginar hoje”, aposta Waengertner. Essa é também a crença do autor norte-americano Kevin Kelly ao mencionar a tendência da cognificação, ou seja, para ele num futuro próximo tudo terá IA. Ela será como a eletricidade que alimenta tudo o que formos fazer, todos os sistemas e aplicações. E provavelmente nem iremos perceber a sua massiva presença.

Conecta: Atenta às oportunidades que esse mercado pode trazer, a Conecta Softwares, de Caxias do Sul, começou a olhar com atenção para a inteligência artificial há cerca de seis meses e, hoje, está trabalhando no desenvolvimento de uma solução para oferecer aos clientes. A empresa focada no mercado da tecnologia da informação está desenvolvendo um software de IA com frameworks da Google, o TensorFlow e o DialogFlow. “Mas vamos deixar o ambiente aberto para outras bases de dados que o cliente tiver e quiser usar também”, antecipa o sócio-proprietário e diretor Jéri Luís Balconi. O produto tem previsão de lançamento até o final de 2018 e será oferecido em três módulos – IA, chatbot e base de conhecimento – que poderão ser adquiridos conjuntamente ou em partes. “O mercado está indo para esse caminho e não tem mais volta. A IA vai começar a entrar nas nossas vidas e das empresas de maneira automática daqui para a frente”, aposta Balconi. Segundo ele, o produto da Conecta servirá para empresas de todos os portes e segmentos. “Evidentemente que algumas empresas irão usar de modo mais eficaz. Quanto mais informações a empresa tiver, mais poderá se beneficiar com o uso da IA”, afirma.

Youbot: A empresa nasceu para sanar uma grande dor atual das companhias, a alta demanda por atendimentos a clientes. Sem automatização, elas são incapazes de atender essa demanda com produtividade e qualidade. Muitas são obrigadas a aumentar o quadro funcional para poder dar conta da interação. Neste cenário, a Youbot – criada em Caxias do Sul por alunos do Centro Universitário Uniftec – vem com a proposta de criar soluções de IA para suprir a demanda. Diferente da maior parte dos chatbots existentes no mercado, que são atendidos por robôs, a Youbot oferece um sistema híbrido, no qual o bot faz o atendimento e o ser humano acompanha, caso o robô não esteja fazendo o atendimento de forma satisfatória. “Isso fica transparente ao cliente, que não sabe se o atendimento está sendo feito por um humano ou por um robô. É quase um teste de turing. Quando o ser humano intervém na conversa ele pode mostrar para o robô qual deveria ter sido a resposta para aquela pergunta, em tempo real, ou esse treinamento pode ser feito posteriormente acessando o histórico de mensagens. O aprendizado é feito somente com curadoria. Optamos por não deixar o robô aprender automaticamente para evitar casos como os da Microsoft, onde o bot deles aprendeu coisas que não devia e acabou sendo taxado de racista e homofóbico”, explica Carlos André Antunes, um dos criadores da Youbot. Atualmente, o sistema é utilizado pelo Uniftec (que também é aceleradora do projeto), no atendimento de novos clientes e alunos, com resultados como aumento do número de atendimentos, maior visibilidade da página, mais agilidade e conforto aos colaboradores que trabalham com a ferramenta e geração de relatórios de interação.

Randon ExO – GupyPrestes a completar 70 anos, em 2019, o Grupo Randon sempre foi inovador na sua história e nos últimos dois anos começou a voltar os olhos para entender o novo contexto da era digital e como conectar a tecnologia com seus negócios. Surgiu, assim, a Randon ExO, célula de inovação multidisciplinar focada em se conectar com o sistema de startups e o ecossistema externo de inovação. Essa célula mapeou inúmeras startups no Brasil, até chegar à Gupy, com quem a Randon fechou parceria no início de 2018. A startup utiliza IA e outras tecnologias para apoiar o processo de recrutamento no grupo. O sistema fez um mapeamento dos traços de cultura da organização e todas as informações de um novo candidato, repassadas por ele e obtidas em canais como o Linkedin e outras redes sociais, são cruzadas com essa cultura, o que gera um fit de cultura (score que é repassado ao gestor responsável pela vaga). “Iniciamos esse processo com o objetivo de dar mais protagonismo aos gestores. Eles já perceberam valor nisso e não querem mais voltar ao processo de recrutamento anterior”, conta Daniel Martin Ely, diretor Corporativo de Planejamento e Recursos Humanos da Randon. Segundo ele, a nova ferramenta já trouxe diversos ganhos para a companhia, entre eles a criação de um banco de talentos (26 mil candidatos estão na base de dados do grupo atualmente, com diferentes perfis, como jovens e pessoas de outras regiões do país); a redução do tempo de preenchimento da posição, que caiu para 35%; e a redução de custos na ordem de 30% no processo de recrutamento. Hoje, a Gupy é utilizada para vagas diretas e indiretas em boa parte das seleções. A previsão do grupo é virar 100% para o novo sistema até o final de 2018. Mas a Gupy é apenas um dos 10 projetos em andamento na Randon ExO. “Percebemos que nem tudo precisava ser resolvido internamente e isso focou o nosso olhar para as startups e para novas soluções para nossas dores. Mas para dar esse salto tivemos que revisitar todos os nossos processos e mudar as nossas crenças e o nosso mindet para o digital”, enfatiza Ely.