Guto Indio da Costa, um designer conteporâneo

Quando o assunto é design brasileiro, Guto Indio da Costa é do tima dos profissionais sempre lembrados. Escolhido para ser o designer da nova coelção de puxadores da Obispa, sua atuação é própria da escala industrial, seja no segmento popular ou de luxo.

Quando o assunto é design brasileiro, Guto Indio da Costa é do tima dos profissionais sempre lembrados. Escolhido para ser o designer da nova coelção de puxadores da Obispa, sua atuação é própria da escala industrial, seja no segmento popular ou de luxo. Presente no lançamento da coleção, o designer carioca fala sobre seu trabalho e como aborda a questão sustentabilidade em seus projetos.


|NOI| Esse é seu primeiro trabalho com a Obispa. Como se concretizou essa parceria?
|GUTO INDIO DA COSTA|Nos conhecemos há pouco mais de um ano e realmente me surpreendeu o parque fabril da Obispa, a qualidade dos produtos e a capacitação técnica da equipe. Percebemos que havia um enorme potencial para parceria e trabalhos conjuntos. Pouco depois propus ao Llario de Oliveira, diretor da empresa, fazermos uma linha de puxadores com minha assinatura e ele topou, aí logo começamos a trabalhar. Fizemos o primeiro desenvolvimento, a primeira família como chamamos, com a ideia de a fechadura estar integrada ao puxador, fazendo parte de um conjunto único, como uma família mesmo.
O resultado, além da estética, é um produto super econômico pois fizemos o puxador com apenar duas peças e então temos a peça completa que é um acessório como um brinco, o colar de uma mulher, muito delicado e elegante. A maçaneta é a entrada de sua casa e de certa forma você sempre expressa nela a sua identidade, a sua personalidade, o seu rosto. Estou super satisfeito, pois criamos uma linha contemporânea, limpa, extremamente elegante, acho que esta parceria é nota 10.


|NOI| E essa parceria vai continuar?
|G.I.C| A gente vive desenhando, né? Acho que sim.


Tens uma forte ligação com a Serra Gaúcha, não é?
|G.I.C| Eu tenho uma história com essa terra. Primeiro porque tenho um pai gaúcho, não exatamente desta terra mas de Pelotas. Logo que me formei, lembro que saí do Rio de Janeiro numa viagem para conhecer empresas, produtos e me surpreendi com essa região, evidentemente, pelo volume de indústrias, de empreendedores, parece que aqui todo mundo tem uma injetora na garagem, né? (risos) Isso é muito legal. E uma das minhas primeiras clientes foi a Forma Inox, de Caxias. Depois estive em Bento Gonçalves algumas vezes, fomos premiados na Casa Designer, na Casa Brasil, fiz algumas palestras e aos poucos fui conhecendo melhor a região, as fábricas e se Deus quiser temos um futuro promissor na região pois ela possui um potencial industrial criativo fantástico. Acho que trago um olhar de mercado contemporâneo e um traço assinado, um traço forte, e isso só agrega para a região.


|NOI| Qual é a identidade do traço nos teus trabalhos?
|G.I.C| Eu diria que é um misto de trabalho muito técnico, sólido, preciso - uma precisão suíça - com a sensualidade brasileira. A ideia é de uma linha bem feita, muito bem acabada, funcional, sob o ponto de vista técnico, mas com um traço abrasileirado, cheio de curvas e, digamos, super-complexas, que meio que definem o nosso país, nossas montanhas tão arredondadas, tudo tão doce.


|NOI| O que poderias dizer para quem está iniciando nessa área?
|G.I.C| Sobretudo, tenha persistência. Eu diria que quem trabalha, quem gosta realmente da profissão e tem que fazer o desenvolvimento de um projeto, de um desenho, de uma forma, esse é o principal motor que mantém a gente sempre inventando. Acho que é isso, além de manter a paixão, o prazer sempre aceso; ter persistência.


|NOI| Como trabalhas a sustentabilidade em teus projetos?
|G.I.C| Nós, designers industriais, estamos na concepção dos produtos que estão no mercado. Às vezes a gente tem que interferir em prol de produtos menos poluentes ou que utilizem menos matéria prima, ou que utilizem processos de fabricação mais simples. Acho que é, sobretudo, uma filosofia que permeia todo nosso trabalho. Mas outro ponto interessante disso tudo é que o impacto zero você nunca tem. O que se pode é minimizar. Uma forma muito legal de minimizar o impacto que a gente cria é fazendo com que os produtos com os quais a gente convive sejam perenes, tenham uma vida mais longa. Eu defendo muito um design atemporal, um design que daqui a 20 anos ainda vá ser moderno, elegante, ainda puro e sofisticado. Acho que esta é uma maneira bem eficiente de ser sustentável em design. Ter produtos com os quais a gente se relacione, a gente goste mas não sejam produtos que entrem ou saiam da moda; não são produtos que a gente olha e vê que são antigos. Para mim a sustentabilidade passa por isso.

Guto Indio da Costa, um designer conteporâneo

Quando o assunto é design brasileiro, Guto Indio da Costa é do tima dos profissionais sempre lembrados. Escolhido para ser o designer da nova coelção de puxadores da Obispa, sua atuação é própria da escala industrial, seja no segmento popular ou de luxo.


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