Feito na serra gaúcha

Onde o setor pretende chegar?

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|NOI| - Nos mais diversos pontos do Brasil, e até fora dele, existe uma imagem muito forte da Serra Gaúcha como referência de produto bem feito, ou seja, se é da Serra Gaúcha, é bom. Como isto se reflete no mercado da moda, especialmente no setor têxtil da região?

Gilda Eluiza De Ross - Esta imagem que reconquistamos ao longo dos tempos como referência de produto bem feito tem uma forte sustentação na seriedade com que tratamos o segmento do vestuário. Desde a concepção dos produtos de moda até a sua finalização, aqui trabalhamos com a vocação do bem feito, que significa a honra de si próprio. Esta tradição herdamos dos imigrantes que aqui se instalaram com muitas dificuldades, mas que conquistaram sucesso pelo bom trabalho, procurando sempre dentro das suas vocações a originalidade. No setor de confecção percebemos este reflexo nas coleções de alfaiataria, lingerie, praia, infantil, esportiva, social e de alta costura que são fabricados na nossa região e vendidos em todo o Brasil e no exterior. Estão localizadas aqui as melhores e mais reconhecidas fabricas de casacos de lã. O setor malheiro já tão reconhecido está voltando a valorizar a sua própria marca ao invés de fabricar apenas para outros, o que vai fortalecer ainda mais o setor daqui para diante. A Moda está ligada às pessoas e aos seus sentimentos. Ela esta na casa, nos carros, nas pessoas e nos vários utensílios que usamos no cotidiano.

Carlos Graça de Araújo - Este conceito se reflete não apenas no setor têxtil. Diga-se de passagem, a nossa região tem se sobressaido em todos os níveis da economia. Os nossos empresários são como uns Midas pois tudo que se propõem a fazer, em maior ou menor grau, vira sucesso. Temos disso os mais variados exemplos. Na moda e principalmente na malha retilínea, não é diferente. O nosso diferencial no mercado está no investimento em equipamento de ponta, na qualificação de mão-de-obra e acompanhamento constante da evolução na moda mundial. Tudo isto acaba se refletindo na excelente imagem do nosso produto e consequentemente nas vendas.


|NOI| - A indústria têxtil é um segmento que está em franco crescimento na região e no Brasil como um todo. Qual a sua análise sobre isso e quais os perigos que podem ameaçar este crescimento?

G.E.R - A indústria têxtil é a segunda que mais emprega no Brasil, perdendo apenas pela de alimentação. Está em franco crescimento, praticamente atendendo o mercado interno, o que nos dá a certeza de que podemos avançar ainda mais conquistando outros mercados. As ameaças a este crescimento ficam por conta dos altos impostos que recaem sobre o processo produtivo e que se refletem no consumidor. Outra ameaça que estamos enfrentando é quanto à falta de mão-de-obra especializada. Estamos desenvolvendo várias ações na área da educação para transformar esta deficiência em oportunidade e geração de emprego e renda nas comunidades mais carentes da nossa região.

C.G.A. - Na minha visão, infelizmente não estamos em tão franco crescimento. A cadeia têxtil gaúcha e brasileira já foi muito mais forte. Hoje apenas alguns setores têm se sobressaido e para nossa sorte, e graças aos empresários da região serrana, a malha retilínea daqui lidera em primeiríssimo lugar em qualidade e quantidade produzidas. Os perigos que nos ameaçam são, sim, os de sempre: impostos altos, falta de crédito a juros aceitáveis, contrabando e importações fraudulentas.

|NOI| - Onde quer chegar a indústria têxtil de Caxias e região? Quais são as metas?

G.E.R.-A nossa indústria têxtil está buscando reconhecimento pela importância que representa na economia deste país e principalmente da nossa região. A principal meta é aumentar a competitividade das empresas por meio de estratégias de diversificação aplicada que possibilitem um salto qualitativo do setor, incorporando conceitos de identidade regional aos produtos fabricados, buscando uma vantagem no mercado globalizado.

C.G.A. - Queremos manter a nossa posição de liderança com trabalho, dedicação, união e olhar voltado para o futuro buscando ampliar mercados e influência no setor têxtil nacional e quem sabe, externo também, por que não?

|NOI| - Num mercado global onde o preço ainda é um forte referencial de compra, mesmo que a produção seja oriunda de sistemas próximos ao trabalho escravo como é o caso da China, você acredita que o consumidor de moda esteja cada vez mais considerando o fator sustentabilidade na hora da compra? Há uma tendência nisso? No caso, como manter o consumidor bem informado sobre o assunto?

G.E.R - Estamos revivendo a era da Atitude Ecológica. A consciência de consumir menos e melhor se sobrepõe a certos padrões de sistema capitalista. Reciclar, reutilizar e reinventar são hoje os novos valores e as novas práticas que as empresas do nosso setor utilizam para se comunicar com seus consumidores.

C.G.A. - Precisamos da ajuda da mídia nacional para conscientizar os brasileiros destes fatos, para não apenas levar em consideração o fator preço e sim, também, o perigo do desemprego doméstico, a produção sem levar em conta o meio-ambiente e o fato de que o empresário local é exigido em todos os níveis enquanto o produto importado asiático é feito de maneira desumana. Creio que uma campanha neste sentido seria muito bem vinda, temos planos para isso.

|NOI| - Quais são os planos da sua entidade para 2011?

G.E.R.- O Sindivest está focado em uma visão de futuro com base na sustentabilidade social, econômica e ambiental para o futuro dos nossos associados. Estamos trabalhando com vários projetos na capacitação da gestão de inovação e na sustentação destas que são na sua grande maioria micros e pequenas empresas. Também, disseminando a cultura do design como fator estratégico para alcançar resultado neste mercado tão competitivo. Contamos ainda, com o Núcleo de Moda, grupo de pesquisa focado em resultados e com a parceria do Pólo de Moda da Serra Gaúcha que visa prover o desenvolvimento setorial através da estruturação do arranjo Produtivo Local (APL) da Moda.
C.G.A. - O Fitemasul tem o propósito de, com as outras entidades do setor, transformar o Integramoda em um evento nacional de lançamento de tendências. Temos planos de uma justa homenagem aos destaques do setor com um Troféu como um Mérito têxtil, algo assim. Queremos também iniciar uma parceria com a Academia Italiana de Moda e Desing para cursos de aprimoramento. Também está prevista a primeira missão internacional das malharias em conjunto para a ITMA 2011. Já começamos inclusive uma parceria com a Fundação Dom Cabral para trazermos palestrantes de peso, entre outras ações.

|NOI| - Na sua visão, acredita que é possível uma ação integrada entre as entidades têxteis patronais da Serra Gaúcha?

G.E.R.- O Sindivest vem desenvolvendo, já há bastante tempo, várias ações e parcerias com entidades dos setores têxtil, público e de Ensino. Acreditamos que somente com a união conjunta de esforços vamos nos desenvolver e fortalecer ainda mais. Com a formação do Pólo de Moda que congrega vários parceiros estamos trabalhando em busca de soluções para o desenvolvimento sustentável das empresas de vestuário da Serra Gaúcha. Além disto, procuramos também ações conjuntas com o Sindicato dos Empregados, como na implantação e parcelamento de escola de costura junto a esta entidade. Com a preocupação na sustentabilidade do setor e da sociedade como um todo, recentemente fizemos frente à implantação do Banco de Vestuário que, em apenas dez meses de funcionamento, já é sucesso em suas atividades, destinando resíduos têxteis para entidades carentes, clubes de mães, associações de bairros e artesãos. Estes resíduos são reutilizados em produtos com design e valor agregado gerando emprego e renda para as comunidades carentes. Este é um exemplo de ação conjunta que envolveu nove entidades trabalhando em conjunto para solucionar um problema do setor com relação aos resíduos gerados e também com a formação de mão de obra através de cursos oferecidos neste local.

C.G.A. - Vejo como fundamental para o progresso do setor a fusão pura e simples de todas as entidades têxteis. Não tem propósito possuirmos os mesmos objetivos, mesmo olhar de futuro, mesmas ações e as tomadas de decisão serem feitas separadas por poucos quilômetros ou paredes. Na prática essa fusão já existe pois as ações e eventos acontecem em conjunto pelo Fitemasul buscando um bem comum entre a nossa entidade, o Sindivest e o Sindicato de Farroupilha onde as malharias que mais se destacam são nossos associados. Queremos urgentemente estreitar estes laços e esperamos que as demais lideranças colegas tenham os mesmos pensamentos e objetivos. Isto trará para o nosso setor mais poder de palavra na hora de buscar soluções junto ao governo e aos consumidores sobre nosso setor.




O FITEMASUL – Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e Malharias da Região Nordeste do RS, abrange 62 municípios da Região Nordeste do Rio Grande do Sul. Conta com aproximadamente 500 indústrias, que geram mais de 6.000 empregos diretos e aproximadamente 20.000 indiretos, com um faturamento previsto para 2010 em torno de R$ 750 milhões/ano. A expectativa do setor é de 10 a 12 milhões de peças em 2010 com crescimento em até 5% devido aos investimentos e adequação do produto retilíneo à moda. A produção de inverno sobre a produção total é na ordem de 75% a 80% e a pronta-entrega varia entre 40% a 45% da produção total.


O SINDIVEST- Sindicato das Indústrias do Vestuário e do Calçado do Nordeste Gaúcho – abrange 24 municípios da Região Nordeste do Rio Grande do Sul, conta com aproximadamente 950 indústrias que geram 9.500 mil empregos diretos, e aproximadamente 38.000 mil indiretos. O Pólo de Moda da Serra Gaúcha abrange, atualmente os municípios de Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha e Guaporé. A população deste bloco econômico atinge 522.825 mil habitantes, referentes a estimativa preliminar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE www.ibge.rs.gov.br), realizada em 2009. O Pólo constitui-se num aglomerado de 1.464 empresas da indústria têxtil e de confecções, que juntas geraram em 2008, 8.649 empregos, segundo dados da RAIS do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Manuel Luís Benevengas Sarmento

Ele ganhou seu primeiro cavalo crioulo com um ano de idade. Apesar de mal conseguir se equilibrar de pé, o guri já podia ter uma certeza: o animal faria parte de sua vida.


Mariete de Carli e Cláudia Carraro

Diretoras da Eco-Preservação Ambiental, comentam o que viram na IFAT 2010


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Onde o setor pretende chegar?


Paola Reginatto Vist

Esta na hora de ousar